Trump acusa Harley de oportunismo e ameaça empresa com imposto maior

Fonte: Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 10h02) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta terça-feira (26), por meio de seu Twitter, a fabricante de motos Harley-Davidson de se aproveitar das disputas comerciais em andamento no mundo como desculpa para deslocar sua produção para outros países.

“No começo deste ano, a Harley-Davidson disse que iria mudar boa parte de suas operações na cidade de Kansas para a Tailândia. Isso foi muito antes das tarifas serem anunciadas. Consequentemente, eles estão apenas usando as tarifas/guerra comercial como uma desculpa. Mostra o quão desequilibrado e injusto o comércio está, mas vamos consertar isso”, escreveu Trump na rede social.

Na segunda-feira (25), após começar a ter suas exportações para a União Europeia (UE) tarifadas em 31% como retaliação do bloco às tarifas impostas pela Casa Branca ao aço (25%) e ao alumínio (10%), a americana Harley-Davidson anunciou que passará a produzir fora dos EUA as motos direcionadas ao mercado europeu.

Trump acrescentou à sua série de tuítes uma ameaça tributária à fabricante americana de motocicletas.

“Quando recebi funcionários da Harley-Davidson na Casa Branca, eu os repreendi por tarifas em outros países, como a Índia, muito altas. As empresas estão voltando agora para a América. A Harley deve saber que não conseguirá vender de volta nos EUA sem pagar um alto imposto!”, ameaçou, no Twitter.

“Uma Harley-Davidson nunca deveria ser fabricada em outro país – nunca!”, escreveu Trump. “Seus empregados e clientes já estão muito nervosos com eles. Se deslocar [a produção], será o início do fim – eles se renderam, abandonaram. A aura será perdida e serão taxados como nunca antes”, ameaçou, de novo, o republicano.

A Harley-Davidson entrou na lista de produtos americanos tarifados pela União Europeia, como resposta à imposição das tarifas de 25% ao aço e 10% ao alumínio aplicadas pelos EUA contra os países europeus e outros parceiros comerciais, como Canadá e México.

A famosa marca de motocicletas disse que suas instalações na Índia, Brasil e Tailândia aumentarão a produção para que a companhia possa evitar as tarifas que lhe custariam até US$ 100 milhões.

Em um documento enviado à Securities and Exchange Commissioner (SEC, o órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos), a empresa informou na segunda-feira (25) que a UE aumentou a tarifa sobre seus produtos de 6% para 31%, o que elevou os preços no mercado europeu em US$ 2,2 mil a unidade. A Harley-Davidson disse que não repassará o valor a consumidores e concessionárias, pois a medida “teria um impacto prejudicial imediato e duradouro sobre seus negócios na região”.

Na semana passada, a comissária de Comercio da UE, Cecilia Malmstrom, disse abertamente que a lista envolve produtos emblemáticos da exportação americana para pressionar pelo fim da política comercial da administração Trump. “Se não podemos convencer nossos sócios americanos, talvez as empresas, consumidores e políticos americanos consigam”, disse durante uma visita à Nova Zelândia na última sexta-feira (15), um dia antes de as tarifas europeias contra os EUA entrarem em vigor.

Novas ameaças

Em sua tuitada matinal desta terça-feira, Trump ainda prometeu lançar mais tarifas contra países que se recusem a abrir seus mercados aos EUA.

“Estamos conseguindo que outros países reduzam e eliminem tarifas e barreiras comerciais que foram injustamente usadas durante anos contra nossos agricultores, trabalhadores e empresas. Estamos abrindo mercados fechados e expandindo nossa presença. Eles devem jogar limpo ou pagarão as tarifas”, ameaçou o presidente americano.

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