Incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame, em Paris

Fonte: G1

Torre desmoronou em meio às chamas; estrutura foi salva após mais de quatro horas de trabalho dos bombeiros. Macron prometeu reconstruir catedral e diz que irá lançar campanha internacional.
Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: AP Photo/Michel Euler

Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: AP Photo/Michel Euler

Um grande incêndio atingiu nesta segunda-feira (15) a catedral de Notre-Dame, em Paris, um importante símbolo da cidade. A “flecha”, torre mais alta da catedral, desmoronou, mas a estrutura do prédio foi salva, segundo os bombeiros.

Um bombeiro ficou gravemente ferido durante o combate ao incêndio, de acordo com a agência Reuters.

O fogo foi relatado primeiro por usuários em redes sociais. Não está claro ainda o que o causou, mas ele pode estar relacionado a uma obra que vinha sendo feita no telhado. A emissora France 2 disse que a polícia está tratando o caso como um acidente.

A polícia isolou a área e retirou os turistas que estavam dentro da catedral. O acesso à Île de la Cité, onde fica a Notre-Dame, foi completamente fechado.

O presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do primeiro-ministro, Edouard Philippe, e do Arcebispo de Paris, Michel Aupetit, fala em frente à Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: Reuters/Philippe Wojazer/Pool

O presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do primeiro-ministro, Edouard Philippe, e do Arcebispo de Paris, Michel Aupetit, fala em frente à Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: Reuters/Philippe Wojazer/Pool

Em um pronunciamento em frente à catedral, o presidente francês Emmanuel Macron disse que Notre-Dame será reconstruída. Ele também elogiou a coragem extrema e o profissionalismo dos bombeiros.

“Nós vamos reconstruir essa catedral, todos juntos. Uma campanha nacional vai ser lançada, e para além das nossas fronteiras. Nós faremos um chamado aos maiores talentos, que serão muitos e virão para reconstruir nossa Notre-Dame.” – Emmanuel Macron

“A Notre-Dame de Paris é nossa história, nossa literatura, nosso imaginário. O lugar onde nós vivemos nossos grandes momentos, nossas epidemias, nossas guerras, nossa libertação”, acrescentou Macron, que disse também que seus pensamentos estão com os católicos e com os parisienses.

“As próximas horas vão ser difíceis… mas o pior foi evitado”, afirmou, lembrando que não houve vítimas.

“Quero dar uma palavra de esperança a nós todos. Essa esperança é o orgulho que devemos ter. Orgulho por todos que evitaram o pior: nossos bombeiros”, disse o presidente.

Fumaça sobe ao redor do altar da Catedral de Notre-Dame, em Paris, durante incêndio na segunda-feira (15) — Foto: Philippe Wojazer/Pool/AFP

Fumaça sobe ao redor do altar da Catedral de Notre-Dame, em Paris, durante incêndio na segunda-feira (15) — Foto: Philippe Wojazer/Pool/AFP

O porta-voz da Notre-Dame, Andre Finot, explicou que a estrutura da “charpente” da catedral, um quadro interno construído parte no século 13 e parte no século 19, queimou completamente, e que “não deve sobrar nada” desse setor. Segundo ele, o fogo teve início por volta das 18h50 em Paris (13h50 em Brasília), no sótão.

Após mais de quatro horas de trabalhos, o chefe dos bombeiros de Paris, Jean-Claude Gallet, informou que a estrutura da catedral foi finalmente declarada salva. “Podemos considerar que a estrutura da Notre-Dame está a salvo e totalmente preservada”, afirmou, segundo a France Presse.

O incêndio só foi declarado sob controle por volta das 3 horas (22 horas em Brasília), embora continuasse o trabalho de rescaldo e observação para que não surgissem novos focos.

Bombeiros jogam água na fachada da Catedral de Notre-Dame, em Paris, na madrugada de terça-feira (16), após controlarem incêndio no local — Foto: Zakaria Abdelkafi/AFP

Bombeiros jogam água na fachada da Catedral de Notre-Dame, em Paris, na madrugada de terça-feira (16), após controlarem incêndio no local — Foto: Zakaria Abdelkafi/AFP

Uma grande operação com 400 bombeiros foi montada para controlar as chamas, que afetaram sobretudo a torre central da catedral, visitada por milhares de pessoas todos os dias.

Testemunhas no local também relataram chamas saindo das duas torres dos sinos.

Imagem retirada de tela de TV mostra visão aérea da Catedral de Notre-Dame, em Paris, durante incêndio na segunda-feira (15) — Foto: Stringer/AFP

Imagem retirada de tela de TV mostra visão aérea da Catedral de Notre-Dame, em Paris, durante incêndio na segunda-feira (15) — Foto: Stringer/AFP

O incêndio pode estar ligado às obras que vinham sendo feitas no telhado do edifício. Recentemente, as estátuas que ficavam no telhado foram removidas para a restauração, e a torre central estava rodeada por um andaime. Uma parte dela caiu em meio às chamas (veja no vídeo abaixo), e uma grande parte do telhado também desmoronou.

Veja imagem de uma das torres da Catedral de Notre-Dame desabando

Veja imagem de uma das torres da Catedral de Notre-Dame desabando

 

Catedral de Notre-Dame tem mais de 8 séculos e levou 180 anos para ser construída

Catedral de Notre-Dame tem mais de 8 séculos e levou 180 anos para ser construída

Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: François Mori/AP

Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: François Mori/AP

Segundo o jornalista Nicolas Delesalle, da revista francesa “Paris Match”, todas as obras de arte da catedral foram salvas. “O tesouro da catedral está intacto, a coroa de espinhos, os santos sacramentos”, escreveu. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, postou em uma rede social uma foto que mostra algumas dessas obras protegidas em um salão.

Parte do acervo da Catedral de Notre-Dame, em Paris, que foi salva do incêndio, na segunda-feira (15) — Foto: Reprodução/Twitter/Anne Hidalgo

Parte do acervo da Catedral de Notre-Dame, em Paris, que foi salva do incêndio, na segunda-feira (15) — Foto: Reprodução/Twitter/Anne Hidalgo

Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: AP Photo/François Mori

Bombeiros tentam conter incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris, na segunda-feira (15) — Foto: AP Photo/François Mori

A turista Kassia Rouan, que estava no parque adjacente à catedral no momento do incêndio, afirmou que “quando os bombeiros chegaram, já havia muitas chamas vindo do teto” da catedral.

“Nós vimos muita fumaça, pensamos que era por causa das obras que estão fazendo. Cada vez tinha mais e mais [fumaça]. Fomos para a frente e fomos afastados para evitar que fôssemos afetados pela fumaça. Vimos as chamas saindo da catedral. Muito triste”, relatou a turista.

A brasileira Mariana Souza, de 33 anos, estava em frente à catedral minutos antes de o prédio ser atingido pelo incêndio.

“A gente saiu de lá, cinco minutos depois olhamos para trás e o negócio [estava] pegando fogo. Não ouvi nenhum barulho, só vimos muita fumaça mesmo”, contou.

Outros brasileiros que vivem ou passeiam em Paris relataram ao G1 as cenas da cidade diante do incêndio na Catedral Notre-Dame. A enfermeira Nadia Maria Batista, de 31 anos, de Fortaleza (CE), estuda francês em uma escola a poucos metros da igreja. Ela conta que, por precaução, o prédio foi evacuado poucos momentos depois das primeiras sirenes soarem.

“Era uma fumaça muito forte, fumaça preta, tóxica. Quando a gente desceu, a rua estava toda tomada. Estava muito quente, ninguém suportava ficar ali”, relatou Nadia.

A enfermeira cearense, há apenas um mês em Paris, chegou a ir em direção à catedral para descer a uma estação do metrô da capital francesa. Quando chegou lá, se deparou com as portas fechadas.

“Não dá para sair, tudo parado. Não passa mais trem nem ônibus”, disse, momentos depois do incêndio.

Estação do metrô Cluny-La Sorbonne, próximo à Catedral Notre-Dame, ficou fechada durante as operações de combate ao incêndio — Foto: Nadia Batista/Arquivo pessoal

Estação do metrô Cluny-La Sorbonne, próximo à Catedral Notre-Dame, ficou fechada durante as operações de combate ao incêndio — Foto: Nadia Batista/Arquivo pessoal

Outra brasileira, a carioca Bruna Bahiana, de 24 anos, estava a cerca de um quilômetro da Notre-Dame quando o incêndio começou. Ela estava a caminho de um compromisso do outro lado do rio – ou seja, passaria perto da catedral. “Quando eu cheguei na ponte, para passar, já estava fechado”, disse.

“Não tem como andar, muita gente na rua, ambulância, muitos carros que atrapalham a circulação. Muito estresse”, contou a brasileira, que vive em Paris há três anos.

Mapa mostra onde fica a catedral de Notre-Dame, em Paris, que pegou fogo — Foto: Infografia: Rodrigo Sanches/G1

Mapa mostra onde fica a catedral de Notre-Dame, em Paris, que pegou fogo — Foto: Infografia: Rodrigo Sanches/G1

O presidente Emmanuel Macron comentou o incêndio em uma rede social.

“A catedral Notre-Dame vítima das chamas. Emoção de toda uma nação. [Envio] pensamentos para todos os católicos e todos os franceses. Como todos os nossos compatriotas, estou triste esta noite de ver queimar essa parte de nós”, escreveu.

O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou horror em relação ao caso. “Que horrível assistir ao incêndio gigante na Catedral de Notre-Dame em Paris. Talvez tanques de água aéreos pudessem ser usados para apagá-lo. É preciso agir rápido!” escreveu no Twitter.

A Defesa Civil francesa afirmou, porém, que não poderia utilizar aviões cortafogo. Pelas redes sociais, o órgão informou que o despejo de água por aeronaves do tipo “poderia levar ao colapso integral da estrutura”.

“De helicóptero ou de avião, o peso da água e a intensidade do despejo de água em uma altitude baixa poderia fragilizar a estrutura da Notre-Dame e causar danos colaterais aos imóveis vizinhos”, informou ainda a Defesa Civil.

Animação mostra como era a catedral de Notre-Dame antes do incêndio

Animação mostra como era a catedral de Notre-Dame antes do incêndio

Incêndio atingiu a Catedral de Notre-Dame nesta segunda (15) em Paris. — Foto: François Guillot/AFP

Incêndio atingiu a Catedral de Notre-Dame nesta segunda (15) em Paris. — Foto: François Guillot/AFP

Situada na pequena ilha chamada Île de la Cité, em Paris, a catedral fica rodeada pelas águas do rio Sena. Não é a igreja mais antiga, nem a maior ou a mais alta do mundo, mas certamente é uma das mais famosas.

Testemunha dos mais importantes eventos na história da França, desde sua fundação a catedral testemunhou o nascimento de 80 reis, dois imperadores e cinco repúblicas. Ela também assistiu à participação da França em duas guerras mundiais.

Imagem de arquivo mostra a Catedral de Notre-Dame em julho de 2018, em Paris — Foto: Thomas Samson/AFP

Imagem de arquivo mostra a Catedral de Notre-Dame em julho de 2018, em Paris — Foto: Thomas Samson/AFP

Segundo a rede BBC, suas famosas gárgulas, que protegem a construção contra espíritos malévolos, testemunharam glórias e tragédias ao longo dos séculos. A Notre-Dame, por exemplo, foi saqueada e quase demolida durante a Revolução Francesa.

Mas o monumento, erguido em homenagem a Nossa Senhora – daí o nome, Nossa Senhora de Paris –, sobreviveu a tudo isso.

Homem leva as mãos à cabeça enquanto observa o incêndio que consome a Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

Homem leva as mãos à cabeça enquanto observa o incêndio que consome a Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

História da Catedral de Notre-Dame

A catedral começou a ser construída em 1163 e só foi concluída 180 anos depois.

Mesmo antes de terminada, a obra em construção já atraía cavaleiros medievais que, durante as Cruzadas, iam à Notre-Dame rezar e pedir proteção antes de partirem para o Oriente.

Em 1431, com as obras já concluídas, foi entre suas paredes que um menino de dez anos, de saúde delicada – Henrique 6º, da Inglaterra –, foi coroado rei da França.

E em 1804, ao som dos tubos do grande órgão da catedral, Napoleão foi coroado imperador dentro dela.

Incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: Charles Platiau/Reuters

Incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame, em Paris — Foto: Charles Platiau/Reuters

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