Maduro teme aumento de pressão após encontro Trump-Bolsonaro

Fonte: UOL

Às vésperas de encontro na Casa Branca, representante chavista manda recado e alerta para “instrumentalização” do Brasil.

GENEBRA – Às vésperas da primeira viagem do presidente Jair Bolsonaro aos EUA, um dos principais nomes do governo chavista na Venezuela manda seu alerta: o Brasil está sendo instrumentalizado por Donald Trump. Quem faz a declaração é Tania Valentina Díaz, ex-ministra de Informação sob o governo de Hugo Chávez em 2010 e hoje vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

O encontro entre Trump e o presidente brasileiro está marcado para ocorrer no dia 19 de março, em Washington. No centro do debate não estará apenas a cooperação militar e comercial entre os dois países, mas também a situação da Venezuela.

O blog apurou que, entre os funcionários de alto escalão do governo de Caracas, a viagem de Bolsonaro para a Casa Branca está sendo acompanhada de perto. Fontes confirmaram que o temor em Caracas é de que o encontro sirva para endurecer a posição contra Nicolas Maduro e estabelecer algum tipo de estratégia comum para isolar e pressionar ainda mais o presidente venezuelano a renunciar.

A suspeita é de que, para dar sentido político ao encontro em Washington, Brasil e EUA anunciem medidas contra a Venezuela. “O Brasil está sendo instrumentalizado”, alertou Diaz, em declarações ao blog durante sua passagem pela ONU, em Genebra.

A representante chavista, porém, alerta que um cenário de conflito armado continua nos cálculos de Caracas, ainda que os militares brasileiros já tenham deixado claro que tal estratégia não faria parte dos interesses nacionais do País. “A estratégia americana para a região é a de iniciar uma guerra de cachorros”, disse a vice-presidente. “Ou seja, uma guerra para que nós, latino-americanos, nos matemos. Para que os mortos sejam brasileiros, colombianos e que não haja a necessidade de um desembarque de soldados americanos e que nenhum de seus garotos retorne em sacos de plásticos aos EUA”, disse.

Para ela, a estratégia de Trump “não é apenas a de uma intervenção”. “Mas a de semear uma guerra na região, entre os países da região”, apontou.   Diplomatas venezuelanos relataram que o temor de um ataque não é apenas retórico.

Há poucos dias, na chancelaria venezuelana, embaixadores se reuniram para avaliar cenários de um possível conflito armado. Diaz, porém, não acredita que o governo brasileiro tenha uma posição fechada sobre como lidar com Caracas. “Nem todas as forças no poder no Brasil parecem estar de acordo com o presidente Bolsonaro”, disse.

Sua avaliação é de que uma eventual intervenção levaria a América do Sul a um “caos”. “Temos de nos perguntar o que ocorreria com as demais nações (da região). O que ocorreria com Colômbia, onde a paz é tao frágil? E a situação na floresta brasileira”, completou.

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