Ele quer democratizar a inteligência artificial

Fonte: BBC

No posto de cientista-chefe da Microsoft Research, Rico Malvar defende que até as menores empresas podem usar a IA para criar produtos inovadores
Rico Malvar, 61 anos  Cientista-chefe do Microsoft Research Microsoft (Foto: Roberto Setton / Valor / Agência O Globo)O executivo Rico Malvar, da Microsoft Research: investimento pesado em inovação  (Foto: Roberto Setton / Valor / Agência O Globo)
Rico Malvar, 61 anos  Cientista-chefe do Microsoft Research Microsoft (Foto: Roberto Setton / Valor / Agência O Globo)

Apesar de ter feito doutorado no prestigioso MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Rico não planejava sair do Brasil. Até que, em 1993, um colega nos Estados Unidos contou sobre uma vaga na PictureTel, uma empresa de videoconferências. Ele propôs à família: “Vamos arriscar; vamos mudar”. E lá foram ele, a esposa e dois filhos. Em 1997, foi trabalhar na Microsoft.

DUAS MOTIVAÇÕES
“É curioso pensar que, na época da minha saída, o Brasil era tumultuado. Como se hoje estivesse tranquilinho… [risos] Não vou dizer que a crise não teve influência na decisão, mas esta foi pequena. O principal motivo foi a oportunidade de dar uma educação diferente aos nossos filhos, que eram pequenos e agora são adultos. Era a chance de conviverem com uma grande diversidade social, conhecer a vida no Brasil, ter família no Brasil, e conhecer a sociedade americana, com amigos americanos… O segundo fator foi a oportunidade de crescer e ter um impacto maior do que se eu tivesse ficado no Brasil.”

DIVERSIDADE E INOVAÇÃO
“Dei sorte, porque os dois lugares onde trabalhei nos Estados Unidos valorizam muito a inovação tecnológica. Principalmente a Microsoft. A empresa investe US$ 14 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, quase 15% de sua receita bruta. É mais que o dobro do investimento da National Science Foundation, a entidade de apoio à ciência dos Estados Unidos. É certamente mais do que o CNPq brasileiro. Quando você combina isso ao valor que a empresa dá à diversidade, ao trazer pessoas do mundo todo, com vários tipos de formação, com vários backgrounds étnicos, com deficiência física… essa diversidade puxa a inovação. Estou aqui há 20 anos, mas é como se eu tivesse participado de quatro empresas diferentes, porque passamos por grandes mudanças. Hoje sou mais animado com a Microsoft do que era no início.”

DISTÂNCIAS MAIS CURTAS
“A distância entre Brasil e Estados Unidos diminuiu. As universidades brasileiras de ponta — USP, Unicamp, UFRJ, PUC — têm cada vez mais qualidade, apesar das dificuldades financeiras. Acho que os programas de pós-graduação em engenharia estão em um nível bem mais alto que os da Índia.”

TERRA MAIS PLANA
“Sempre vou ao Brasil. Além do aspecto familiar, tem o ponto de vista profissional, de ajudar a empresa a transmitir a mensagem da democratização da inteligência artificial. Com essa tecnologia, uma empresa brasileira pequena, com meia dúzia de engenheiros e engenheiras, pode inventar um negócio legal, que vai ser melhor que o Facebook. A Terra ficou plana.”

A KITANDA
“Minha noção de casa é uma combinação dos dois países. A gente se sente à vontade nos Estados Unidos, se acostumou, temos vários amigos em Boston, na região de Seattle. Mas a gente tem um coraçãozinho, né? De vez em quando, vou a uma loja chamada Kitanda, perto da minha casa e da Microsoft, para comer pão de queijo, porque dá saudade… [risos] Eles fazem aquelas tigelinhas de açaí com granola, banana… É uma delícia.”

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