Planalto muda estratégia no Congresso

Fonte:VALOR

Depois de privilegiar as bancadas temáticas na formação de seu ministério, governo Jair Bolsonaro agora recorrerá à negociação com líderes partidários e, principalmente, com bancadas do Estados em sua relação com a Câmara dos Deputados. A estratégia começará a ser testada já nos próximos dias, às vésperas do envio da proposta da reforma da Previdência ao Congresso Nacional.

A vitória no Senado de Davi Alcolumbre (DEM-AP) fortalece a posição do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. No Palácio do Planalto, a expectativa é a de que a proximidade entre ambos facilite a tramitação de projetos impopulares como as reformas. Mas o governo sequer definiu ainda seu líder na Casa e a vitória de Alcolumbre, no sábado, depois de dois dias de sessões, foi com 42 votos, apenas um a mais que a maioria absoluta.

Onyx entende que a hora é de falar com os partidos. Ao mesmo tempo, os interlocutores do Planalto procurarão dividir as conversas com os parlamentares levando-se em conta os Estados de origem de cada um. A ideia é criar “blocos estaduais suprapartidários”, usando em alguns casos a força de governadores aliados ou alinhados com a agenda do governo para influenciar nas votações.

Um interlocutor do governo usa como exemplo a bancada do Ceará. Dos 22 deputados do Estado, o governo acredita que dez (filiados a PDT, PT e PSB) são oposição e, portanto, votos perdidos para a reforma. Os 12 restantes podem formar uma bancada de apoio, na visão do Planalto. “Se não conversar muito educadamente com muita atenção e carinho nós vamos ter problemas”, admite a fonte. “Vamos entrar em campo e ouvir as demandas de todos os aliados.”

Os líderes partidários serão chamados a conversar nos próximos dias sobre a liderança do governo no Congresso e no Senado. Devem participar das conversas o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-SP) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A as bancadas do PSL nas duas Casas também serão ouvidas.

Sobre o cargo de líder no Congresso, o governo cogita fazer um revezamento anual entre senadores e deputados.

Essa ideia ainda tem que ser amadurecida, de acordo com interlocutores. E precisa necessariamente do aval do presidente Jair Bolsonaro, que se recupera em São Paulo da cirurgia para a retirada da uma bolsa de colostomia.

O PSL, que já tem o líder do governo na Câmara, major Vitor Hugo (GO), não deve ficar com nenhum dos dois postos. Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disputa com Major Olímpio (PSL-SP) a liderança do partido no Senado.

Os nomes dos deputados Alceu Moreira (MDB-RS), Arthur Lira (PP-AL), Capitão Augusto (PR-SP) e José Rocha (PR-BA) circulam no Palácio do Planalto entre os candidatos a líder do governo no Congresso.

“Até quarta ou quinta, haverá muito diálogo. E vamos esperar presidente voltar e dar o seu aval”, diz uma fonte do governo.

No Senado, as conversas estão em fase mais incipiente do que na Câmara. Ex-líder do PSDB no Senado e derrotado na tentativa de se reeleger em outubro, o catarinense Paulo Bauer assume hoje o cargo de Secretário Especial para o Senado Federal. Ele estará sob o guarda-chuva de Onyx.

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