Como a Finlândia planeja ensinar inteligência artificial à população para se manter competitiva

Fonte:ÉPOCA

País encontrou uma maneira de ganhar relevância na área sem precisar competir com potências como China ou EUA
Helsinque, Finlândia (Foto: Petteri Sulonen / Wikimedia Commons)Helsinque, Finlândia (Foto: Petteri Sulonen / Wikimedia Commons)

Preocupada com questões como o futuro do mercado de trabalho e a competitividade entre economias, a Finlândia adotou um objetivo ambicioso: ensinar conceitos de inteligência artificial (IA) para 1% de sua população — e continuar a popularizando a partir de então.

A meta surgiu em meio a um projeto da Universidade de Helsinque, na capital do país. Com o objetivo de instruir pessoas que não entendem nada de ciência da computação, a instituição lançou um curso online e gratuito sobre os conceitos e as aplicações básicas de IA.

O projeto ganhou a atenção de grandes empresas e, por fim, do próprio governo finlandês. Além de abraçarem a meta de capacitação, o Ministério das Relações Exteriores e a autoridade fiscal do país anunciaram que iriam treinar suas próprias equipes nessa área.

A medida integra uma estratégia mais ampla da Finlândia em torno dos potenciais da inteligência artificial. Em vez de entrar em uma batalha perdida contra grandes potências em tecnologia, como China e EUA, o país decidiu apostar em um nicho diferente, com foco nas aplicações práticas da IA — e não em sua programação de fato. Para isso, uma das medidas principais é “acordar” as pessoas sobre o potencial que essa tecnologia coloca em suas mãos, além de oferecer informações básicas e essenciais a elas.

“Nós nunca teremos tanto dinheiro que seremos líderes de inteligência artificial. Mas a maneira como a usamos é algo diferente”, diz Mika Lintilä, Ministro da Economia do país, em entrevista ao site Politico. Antes mesmo da medida, segundo o texto, a Finlândia já havia sido o primeiro país da União Europeia a colocar as estratégias e os objetivos sobre a IA no papel. A nação planeja, ainda, fazer parceria com a Estônia e a Suécia para se tornar o “laboratório” número um da Europa para testes de IA.

“As igrejas antigas costumavam ter uma pessoa que acordava todos que estivesse adormecendo enquanto ouviam o pregador”, diz Ilona Lundström, diretora geral do ministério da economia da Finlândia, ao site. “Nosso papel é ter um bastão para cutucar as pessoas e dizer: ‘Fique alerta, fique acordado, fique focado e avance’.”

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