Influenciadoras digitais de apenas 2 anos faturam mais que qualquer um de nós

Fonte: Yahoo

Influenciadoras digitais de apenas 2 anos faturam mais que qualquer um de nós
As gêmeas Taytum e Oakley Fisher possuem 2,2 milhões de seguidores no Instagram e arrecadam US$ 10 mil em uma única fotografia. Os pais delas cuidam de tudo, mas até que ponto esse modelo de negócios é saudável para as meninas e para o mercado?

Hoje em dia é bastante comum abrir o Instagram e se deparar com diversas propagandas, seja entre as publicações da linha do tempo ou entre um Stories e outro. Mas mais do que normal ver os anúncios é o fato de que crianças estão tomando os holofotes da publicidade. Bons exemplos disso são as irmãs gêmeas Taytum e Oakley Fisher, de apenas 2 anos de idade.

Filhas dos atores Madison e Kyler Fisher, cujo empreendimento faliu em 2016 deixando o casal sem dinheiro; as duas têm 2,2 milhões de seguidores no Instagram e arrecadam pelo menos US$ 15 mil com uma única fotografia para uma marca. Ambas participam de comerciais nacionais, já atuaram em um filme e ganharam papéis recorrentes na novela Days of Our Lives.

Os pais das meninas agora produzem seus próprios filmes e gerenciam um canal de família no YouTube com 2,7 milhões de inscritos. O mais curioso é que histórias assim têm se tornado cada vez mais comuns na era das redes sociais, já que qualquer tipo de pessoa, de um fashionista a um comediante, pode se transformar em celebridades na internet.

E, de acordo com especialista, o mercado de influenciadores deverá valer entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões até 2020 graças às crianças, que deverão se tornar uma parte crescente da economia e influência do Instagram. Isso porque a rede social em questão é muito usada por jovens, ao lado do YouTube.

Em setembro de 2017, a plataforma de fotografias e vídeos havia alcançado 800 milhões de usuários, sendo que 80% desses seguiam pelo menos um perfil de negócios e 60% descobriram novos produtos através do Instagram. As pessoas estão cada vez mais procurando por crianças influenciadoras “para recomendações de produtos”, afirma Zoe Marans, vice-presidente da agência de marketing de influência MediaKix. Ela encara o momento como uma construção de “consciência de marca e afinidade através de gerações”.

A média de lucro de uma criança influenciadora é de US$ 100 por post a cada 1.000 seguidores – o que significa que, em teoria, um influenciador mirim com 500.000 seguidores ganharia cerca de US$ 5 mil. Isso se a marca e o influenciador não assinarem uma campanha, com direito a várias postagens, atualizações nos Stories do Instagram e até mesmo uma aparição em um evento.

As gêmeas Taytum e Oakley ganham entre US$ 15 mil e US$ 25 mil por postagem no Instagram, ainda que os pais das meninas afirmem que não recebem muitos contratos com marcas. O motivo é basicamente porque as duas não conseguem seguir instruções muito bem. Quando tiverem mais idade para repetir o que Madison, Kyler e as marcas pedem, elas poderão faturar ainda mais. Se combinado com os lucros adquiridos em outras produções, tais como desfiles, comerciais e filmes, os números podem triplicar.

Vale lembrar que, nessa idade, tudo ainda é gerido pelos pais. Após os 13 anos, o Instagram permite a abertura de uma conta. E embora as crianças sejam as estrelas, muitas delas não têm plena noção de todo o trabalho que seus pais dão conta gerenciando continuamente os bastidores e a produção. Muitas sequer imaginam que são tão famosas.

Paradoxo parental

E, se por um lado a internet gera lucros e trabalhos, também é lar de trolls, racistas, sexistas e pedófilos. Nguyen-Miyoshi, mãe da pequena Zooey, de 6 anos, lida com essa área obscura com muita determinação. Após ter sido exposta e perseguida por arruaceiros online em uma confusão no Twitter, a mulher decidiu que não publicaria nada de sua filha que considere minimamente sexual. Ela também investiga exaustivamente e bloqueia qualquer seguidor que considere suspeito no Instagram e apenas publica fotos da menina com óculos de sol.

De acordo com um artigo que Nguyen-Miyoshi leu, esta é uma tática antipedofilia, já que a maioria dos pedófilos criam uma conexão com as vítimas através dos olhos. Os óculos de sol são, portanto, uma tática para contornar essa ligação. Já Clements, mãe das gêmeas Ava e Leah, de 8 anos, prefere usar uma abordagem mais radical, expondo os filhos aos problemas lá fora ao invés de blindá-los.

A intenção é proteger as meninas e expô-las ao que realmente acontece por aí. “Você não pode protegê-los para sempre, então você tem que torná-los conscientes de alguma forma”, diz a mãe das gêmeas. As irmãs também não têm acesso ao Instagram ou à internet livremente – talvez sequer entendam como possuem uma quantidade grande de seguidores (mais de 800 mil atualmente). Clements também revela que cobra US$ 500 por postagem.

Tem-se aqui um paradoxo parental nascido exclusivamente do momento cultural que vivemos: os pais querem ensinar a seus filhos como serem humildes e valorizar a bondade e o amor; mas ao mesmo tempo precisam expor as crianças a um mundo digital onde sua relevância e seu valor é medido conforme a quantidade de curtidas e de comentários que ganham.

Madison Fisher, a mãe das gêmeas Taytum e Oakley, afirma que está preocupada com como o Instagram pode afetar a percepção de suas filhas conforme elas envelhecerem. “Às vezes, fico deprimida por causa do Instagram com as curtidas ou comentários…”, ela disse.

“Acho ótimo para os negócios e a mídia social é uma ótima maneira de se conectar com as pessoas, mas também pode arruinar a vida das pessoas. Eu não vou dar acesso a elas até que elas sejam adolescentes. Eu só quero mantê-las seguras de ficarem deprimidas e não pensarem que são melhores que os outros. Eu quero que elas sejam crianças e se preocupem em brincar e aprender, em vez de se preocupar com mídias sociais”.

E ainda que existam comentários e acusações de pessoas a respeito da vida pessoal das crianças, também há a (complicada) questão da opção e escolha das próprias crianças – algo que elas ainda não têm pleno poder, já que são justamente crianças. Contudo, Madison acredita que a popularidade das meninas não tem nada a ver com exploração. “A vida delas é tão abençoada e elas têm tudo o que querem, porque agora podemos pagar tudo e dar uma vida bonita por causa disso”.

O trabalho infantil conta com leis de apoio na questão de exploração de menores no entretenimento. A “lei de Coogan”, por exemplo, foi instituída em 1939 para impedir que os pais tirassem o dinheiro de seus filhos antes de atingirem a idade adulta. Felizmente, muitos pais abordados alegam que guardam os lucros para que seus filhos tenham fundos para a faculdade. Porém, essa legislação ainda se aplica necessariamente a crianças influenciadoras – as regras desse mercado ainda estão em uma área cinza, que precisa ser estudada, uma vez que a proteção não é a mesma para outros artistas infantis.

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