Fonte:G1

Bolsonaro participa de cerimônia de transmissão de cargo de quatro ministros

Cerimônia no Planalto foi o primeiro compromisso de Bolsonaro após a posse na Presidência da República. Novo governo tem 22 pastas, quatro delas funcionam no Palácio do Planalto.

Bolsonaro em transmissão de cargo de ministros — Foto: Reprodução/NBR

Bolsonaro em transmissão de cargo de ministros — Foto: Reprodução/NBR

O presidente Jair Bolsonaro participou na manhã desta quarta-feira (2), no Palácio do Planalto, da cerimônia de transmissão de cargo de quatro ministros.

Bolsonaro assumiu a Presidência da República na terça-feira (1º) e empossou 21 ministros de seu governo – ele também assinou a indicação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central, que terá de ser aprovada pelo Senado.

A solenidade desta quarta marcou uma espécie de “passagem de bastão” de quatro ministros que trabalharam no governo de Michel Temer para os novos titulares das pastas, escolhidos por Bolsonaro.

  • Casa Civil: Onyx Lorenzoni no lugar de Eliseu Padilha
  • Secretaria-Geral da Presidência: Gustavo Bebianno no lugar de Ronaldo Fonseca
  • Secretaria de Governo: general Carlos Alberto dos Santos Cruz no lugar de Carlos Marun
  • Gabinete de Segurança Institucional (GSI): general Augusto Heleno no lugar do general Sérgio Etchegoyen
General Augusto Heleno durante discurso no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (2) — Foto: Reprodução/NBR

General Augusto Heleno durante discurso no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (2) — Foto: Reprodução/NBR

Os antigos e os novos ministros discursaram durante a cerimônia. O novo chefe do GSI, general Augusto Heleno, afirmou que terá a missão de “cuidar” do sistema de inteligência do país – a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é vinculada ao gabinete.

Segundo Heleno, o sistema de inteligência brasileiro foi recuperado na gestão de Sérgio Etchegoyen. O novo ministro ainda criticou a atuação da ex-presidente Dilma Rousseff na área.

“Ele [sistema de inteligência] foi derretido pela senhora Rousseff, que não acreditava em inteligência”, disse Heleno.

Na fala de despedida, Etchegoyen defendeu a gestão de Temer, que, na sua opinião, teve com o lema a “coragem”. Para o general, o agora ex-presidente teve o mérito de evitar o “populismo”.

“Se o título do governo que se encerrou, como já disse em outra oportunidade, poderia ser crise, seu lema foi coragem e sua maior manifestação foi rejeitar a trilha tantas vezes percorrida do populismo demagógico e irresponsável que muito mal nos causou”, afirmou.

Ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, voltou a afirmar que Temer aprendeu a navegar na “tempestade” e ressaltou que a gestão que se encerrou recuperou o país.

“Saímos coma sensação não só do dever cumprido, mas também da vitória”, declarou Marun.

População ‘traumatizada’

Novo titular da Secretaria de Governo, o general Santos Cruz disse que “todos os assuntos” poderão ser discutidos na pasta, desde que respeitados princípios de “honestidade, de lealdade, de transparência e de cumplicidade”.

Santos Cruz afirmou que a população está “traumatizada” pelos escândalos de corrupção dos últimos anos e o governo precisar passar uma imagem de credibilidade.

“Todos os assuntos poderão ser tratados na Secretaria de Governo sempre dentro dos princípios da administração pública de honestidade, de lealdade, de transparência de cumplicidade, a fim de que transmita à nossa população, traumatizada por escândalos ao longo de muitos anos, uma sensação de honestidade de um governo, de transparência, de confiabilidade, de credibilidade de todos os programas”, declarou Santos Cruz.

O novo chefe da Secretaria Geral, Gustavo Bebianno reforçou que o governo de Bolsonaro terá um viés liberal na economia.

“Esperamos pela primeira vez de verdade que o liberalismo econômico seja implementado em favor de todos nós”, afirmou.

O ministro ainda destacou a confiança no trabalho do ministro da Economia, Paulo Guedes, e a necessidade de manter o país “longe das garras destrutivas da mentalidade bolivariana”.

Chefe da Casa Civil de Temer, Eliseu Padilha citou a recuperação da economia como um dos principais feitos da gestão do ex-presidente. Ele citou as quedas da taxa de juros e da inflação e o Produto Interno Bruto positivo nos últimos dois anos.

Padilha disse que Temer conduziu uma “transição” e entrega o país para Bolsonaro como uma “estrada recuperada” – o ex-presidente assumiu o governo em maio de 2016 em meio ao impeachment de Dilma Rousseff, de quem era vice-presidente.

“O presidente Temer fez uma transição. Ele pegou o país, e a expressão é dele, com a estrada esburacada e está entregando à vossa excelência [Bolsonaro] a estrada recuperada. … Tivemos uma restauração plena e ampliou-se a capacidade da estrada.”

Chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, afirmou que a “marca” do novo governo será o “diálogo”e defendeu um “pacto político entre governo e oposição por amor ao Brasil”.

“As disputas políticas, as disputas ideológicas podem e devem ser travadas. Nós não recebemos um papel em branco ao vencermos as eleições”, disse Onyx.

O ministro, que coordenou a equipe de transição, fez um agradecimento aos mais de 120 voluntários que trabalharam com o novo governo nos últimos dois meses.

Bolsonaro chegou ao Planalto por volta das 8h20. A cerimônia foi o primeiro compromisso de Bolsonaro no dia seguinte à sua posse. Eleito o 38º presidente da República, ele assumiu o cargo em uma solenidade acompanhada por 115 mil pessoas em Brasília.

Ao discursar para apoiadores na Praça dos Três Poderes, Bolsonaro prometeu ‘tirar peso do governo sobre quem trabalha e produz’ e ‘restabelecer a ordem’ no país.

Entre as primeiras medidas adotadas, Bolsonaro assinou decreto que fixou em R$ 998 o salário mínimo em 2019. Ele também transferiu para o Ministério da Agricultura a atribuição de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas e quilombolas.

Os ministros de Bolsonaro nesta terça-feira (1º) durante solenidade de posse no Palácio do Planalto — Foto: SERGIO LIMA/AFP/GETTY IMAGES/BBC

Os ministros de Bolsonaro nesta terça-feira (1º) durante solenidade de posse no Palácio do Planalto — Foto: SERGIO LIMA/AFP/GETTY IMAGES/BBC

Onyx Lorenzoni (Casa Civil)

O médico veterinário de 64 anos terá um dos principais postos da Esplanada dos Ministérios. Ele está no 4º mandato consecutivo como deputado federal e foi reeleito com 183.518 votos.

Em 2016, Onyx foi relator na Câmara do pacote de medidas de combate à corrupção e fez mudanças no texto apresentado no plenário, descumprindo acordo com os demais parlamentares, o que gerou diversas críticas a ele.

No ano passado, admitiu ter recebido R$ 100 mil em caixa 2 da empresa JBS para pagar dívidas de campanha de 2014. O deputado alegou que, na ocasião, não tinha como declarar o valor na Justiça Eleitoral.

Gustavo Bebbiano (Secretaria-Geral da Presidência)

O advogado de 54 anos é um dos conselheiros de Jair Bolsonaro e foi uma das figuras mais próximas ao presidente eleito durante a campanha deste ano.

Faixa preta de jiu-jítsu, Bebianno foi apresentado a Bolsonaro em 2017 e se ofereceu para atuar de graça em processos judiciais do deputado, de quem conquistou a confiança, a ponto de ter assumido a presidência do PSL, partido do presidente eleito.

Também acompanhou de perto a recuperação de Bolsonaro, depois que o então candidato levou uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Bebianno deixou o comando do PSL em outubro.

General Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo)

Natural de Rio Grande (RS), Carlos Alberto dos Santos Cruz é formado em Engenharia Civil e chegou ao posto de general de divisão no Exército. Ele foi anunciado para chefiar a Secretaria de Governo por Jair Bolsonaro, por meio do Twitter. A pasta fica no Palácio do Planalto e cuida, entre outras atribuições, da articulação do governo com o Congresso.

O militar, de 66 anos, comandou as missões de paz da ONU no Haiti (2007 a 2009) e na República Democrática do Congo (2013 a 2015) e chefiou a Secretaria Nacional de Segurança Pública durante parte da gestão do presidente Michel Temer.

Santos Cruz também trabalhou como consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) em razão de sua participação nas missões de paz.

General Augusto Heleno (Segurança Institucional)

O militar de 71 anos chegou a ser cotado para vice na chapa e para ministro da Defesa, mas vai assumir a pasta da Segurança Institucional.

Na reserva desde 2011, o general comandou a missão de paz das Nações Unidas no Haiti, foi comandante militar da Amazônia e chefiou o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.

Antes de definir que iria para o Gabinete de Segurança Institucional, o general Heleno foi anunciado no Ministério da Defesa. Será o novo responsável pela área de inteligência do governo, pela segurança pessoa do presidente da República e pela prevenção de crises.

A agenda de Bolsonaro para esta quarta ainda prevê uma série de encontros com autoridades estrangeiras, entre as quais, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

Bolsonaro também tem previsão de participar à tarde da cerimônia de transmissão do cargo no Ministério da Defesa.

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