Lava-Jato apura pagamento de US$ 31 milhões em propinas à Petrobras

Fonte: Valor

André Horta/Fotoarena/Folhapress

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 10h51) A nova fase da Operação Lava-Jato, deflagrada nesta quarta-feira e batizada de ‘Sem Limites’, investiga pagamentos de US$ 31 milhões em propinas a funcionários da Petrobras entre 2009 e 2014 por grandes empresas conhecidas como tradings. As investigadas são a Vitol, Trafigura e Glencore.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), essas empresas efetuaram pagamentos de propinas para intermediários e funcionários da Petrobras nos montantes, respectivamente, de US$ 5,1 milhões, US$ 6,1 milhões e US$ 4,1 milhões, relacionados a mais de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem. Além dessas empresas, outras companhias trading continuam sendo investigadas por suspeitas de pagamento de propinas para funcionários da Petrobras.

As provas apontam que havia um esquema de propina para obter facilidades, conseguir preços mais vantajosos e realizar contratos com maior frequência. Esses negócios diziam respeito à compra e venda no mercado internacional de óleos combustíveis (produtos utilizados para geração de energia térmica em fornos e caldeiras), gasóleo de vácuo (produto intermediário utilizado na produção de gasolina e diesel), bunker (combustível utilizado nos motores de navio) e asfalto.

Os subornos beneficiavam funcionários da gerência executiva de Marketing e Comercialização, subordinada à diretoria de Abastecimento. As operações de trading e de locação que subsidiaram os esquemas de corrupção foram conduzidas pelo escritório da Petrobras em Houston (EUA) e pelo centro de operações no Rio de Janeiro, segundo o MPF.

Para a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, integrante da força-tarefa da Lava-Jato, “as operações da área comercial da Petrobras no mercado internacional constituem um ambiente propício para o surgimento e pulverização de esquemas de corrupção, já que o volume negociado é muito grande e poucos centavos a mais, nas negociações diárias, podem render milhões de dólares ao final do mês em propina”.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa ressalta que se trata “de esquema criminoso praticado ao longo de anos, com envolvimento de empresas gigantes de atuação internacional, parte delas com faturamento maior que o da própria Petrobras”.

Atuando nos Estados do Paraná e Rio de Janeiro nesta quarta-feira, equipes compostas por 190 policiais cumprem 37 ordens judiciais no âmbito da operação: 26 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão preventiva e 6 intimações, conforme a PF. Também foram expedidas ordens de sequestros de imóveis, indisponibilidades de contas bancárias de investigados e bloqueio de valores até o limite dos prejuízos já identificados.

Os presos na operação de hoje serão levados à Superintendência da PF do Paraná.

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