OESP Policiais detectam drones do PCC sobrevoando Presidente Venceslau

Fonte: DefesaNet

Arma de guerra seria usada para cobrir perímetro de prisão onde está chefe do PCC; ROTA fez treinamento em quartel, mas empréstimo enfrenta restrições legais. Facção teme endurecimento com futuro governo Bolsonaro, diz envolvido na investigação

Baseado em alertas de inteligência e ações reais, a Polícia do Estado de São Paulo não que ser pega de surpresa como 2006.Drones

As forças de segurança que ocupam o perímetro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste paulista, detectaram na noite desta segunda-feira, 5, o sobrevoo de dois drones na região. A suspeita é que os aparelhos tenham sido usados por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para verificar o dispositivo de segurança desdobrado nas proximidades da penitenciária que abriga a cúpula da facção criminosa.

Na tentativa de abatê-los, viaturas das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) perseguiram os drones até a cidade vizinha de Caiuá. Os policiais, no entanto, perderam o contato com os aparelhos.

A presença dos drones foi repassadas às agências de inteligência envolvidas na operação criada para impedir o plano de resgate de Marcola, líder máximo do PCC. Descoberto pela inteligência policial, o plano prevê a contratação de mercenários que usariam armas de guerra, como lançadores de foguetes e metralhadoras.

Em razão disso, o Comando da Policia Militar de São Paulo solicitou ao Comando Militar do Sudeste (CMSE) o empréstimo de metralhadoras de calibre .50 para que sejam usadas na segurança do presídio. A ideia era ter o equipamento para dissuadir qualquer ataque ao presídio.

Anteriormente o Comando da PMSP já tinha enviado metralhadoras MAG, calibre 7,62 mm, para agentes da corporação que cobrem o perímetro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau e negocia empréstimo de metralhadoras de calibre .50 do Exército para proteger o entorno da prisão onde está a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), no oeste paulista.

Homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) foram treinados na semana passada para usar esse tipo de armamento no quartel do 37.º Batalhão de Infantaria Leve, em Lins, também no interior do Estado.

Oficialmente, o Comando da PM informou apenas que a operação na região “conta com o apoio e suporte logístico do Exército Brasileiro, sem envolvimento de efetivo”. Esta é a primeira vez desde 2006 que a polícia paulista pede apoio do Exército para garantir a segurança das penitenciárias. Tudo porque a inteligência da polícia detectou um plano de resgate de Marcola, e de outros integrantes da cúpula da facção em que o PCC contaria até com a ajuda de mercenários.

Para o plano, era previsto ainda o uso de lança-foguetes, metralhadoras e aeronaves. “A cúpula do PCC tem urgência. Eles acreditam que o futuro governo (Jair) Bolsonaro vai endurecer ainda mais a situação deles”, afirmou um dos envolvidos na investigação. Marcola está condenado a 332 anos de prisão e não tem perspectiva de sair da penitenciária. A cúpula da facção teme ser transferida para um presídio federal – diferentemente dos líderes de outras facções pelo País, os chefes do PCC não foram enviados a penitenciárias geridas pela União.

Mercenários

A FSP avança no detalhamento baseada em uma carta enviada  pelo senador eleito Major Olímpio (PSL) em identificar de onde viriam os mercenários para paticipar da operação.

Em ofícios enviados ao Exército e à Aeronáutica pelo Major(PMSP) Olímpio (PSL) na semana passada. Nos documentos, ele pedia ajuda para a PM paulista no enfrentamento ao suposto grupo de mercenários que estariam planejando o resgate de presos.

“As informações trazem que diversas forças paramilitares iranianas, nigerianas e membros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) teriam sido contratadas para tal empreitada criminosa, o que foge das ações perpetradas por criminosos comuns”, diz o ofício enviado ao parlamentar.

As informações não foram desmentidas pelo governo paulista.

ROTA

“Os PMs já estão usando essas metralhadoras (MAG 7,62mm), mas o perigo só passará com a movimentação dos líderes criminosos”, disse o parlamentar.

A PM reforçou na semana passada o efetivo na região. Há um mês já havia enviado um pelotão da ROTA e outro do Comando de Operações Especiais (COE). A eles se juntou outro pelotão da tropa de choque, um esquadrão do Regimento de Cavalaria e dois blindados do Comando de Policiamento de Choque.

A região está com dois helicópteros Águia e o aeroclube de Presidente Venceslau foi interditado. Mais de cem homens participam da ação. Em nota, o comando da Polícia Militar informou que “mantém o aumento de efetivo policial, com apoio do Comando de Policiamento de Choque, no município de Presidente Venceslau”.

De acordo com as investigações, o plano de resgate de Marcola foi tramado por Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, um dos maiores narcotraficantes da América do Sul. Trabalhando da Bolívia e do Paraguai, Fuminho opera com o PCC para enviar cocaína para a Europa e para a Ásia. Ele estava planejando a contratação de mercenários que soubessem manejar o armamento de guerra para resgatar os chefes do PCC.

Fuminho estaria envolvido no assassinato de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, líder da facção que foi morto no Ceará em fevereiro deste ano. Conversas interceptadas pela polícia mostram que a facção estaria disposta a usar até R$ 100 milhões no plano.

Segundo informações encaminhadas pelo Major Olímpio ao Exército e à Aeronáutica, os criminosos também pretendem usar armamento pesado como as metralhadoras .50 (já usadas em vários atos criminosos no Brasil),  para conter os policiais de sair dos quartéis e os helicópteros da PM de levantarem voo, como já teria ocorrido em Araraquara e Bauru em outras ações criminosas.

Também o uso de explosivos em quantidades não usuais em ações criminosas no Brasil e sistemas de lançadores de foguetes, como os russos RPG-7. Estas armas muitos usadas na África e movimentos árabes. Por isto a vinda de mercenários destas regiões.

Exército

O Comando Militar do Sudeste (CMSE) confirmou que o 37.º Batalhão de Infantaria Leve é usado para o treinamento de policiais militares independentemente da situação criada pelo PCC no Estado.

Na avaliação do Comando, será difícil a cessão das metralhadoras à PM. Como são armas de guerra, seria necessário alteração legal. O interesse da Polícia Militar pela arma, além do poder de fogo, é por seu caráter dissuasório.

Em São Paulo, a ação do Exército na área de segurança pública é incomum. Ela ocorreu só em três oportunidades: as visitas do papa Bento XVI e do presidente americano George W. Bush e os ataques do PCC nas ruas em 2006. Se nos dois primeiros houve emprego de tropa, no terceiro não. Mais uma vez é este o modelo procurado pela polícia de São Paulo.

Em 2006, o Exército assinou convênio com a Secretaria da Segurança para permitir o uso de helicópteros do Comando de Aviação do Exército para o deslocamento rápido de tropas policiais ao oeste do Estado. Agora, mais uma vez, a PM está atrás de um equipamento do Exército de que ela não dispõe: as metralhadoras calibre .50.

Bolsonaro

A carta do Major Olímpio desvenda o segredo mantido até o momento nas ameaças de atentado contra o Presidente eleito Jair Bolsonaro.

Após a tentativa frustrada, em 06SET2018, em Juiz de Fora, e as medidas de proteção adotadas o PCC está recorrendo a mercenários, considerando que não possui experiência e equipamento necessário para um atentado onde as forças de segurança: PF, COT (Comando de Operações Táticas), CFN (Tonelero) e Operações Especiais do Exército protegem o presidente eleito.

Porém, as medidas teriam de ser ainda mais restritivas tornando o Presidente eleito em um virtual prisioneiro.

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