Quem é Jair Bolsonaro para os europeus?

Fonte: Yahoo

Por Frederico Feitoza, de Berlim (ALE)

Os europeus tentam decifrar quem é Jair Bolsonaro (PSL). Ao longo de semanas especialmente dedicadas ao novo presidente eleito, publicações do Reino Unido, França e Alemanha qualificam-no como populista e radical de direita, embora sublinhem também o seu alinhamento ao mercado financeiro.

A britânica The Economist, revista de inclinação liberal, questiona se os seus eleitores estão preparados para o radicalismo de suas propostas. A matéria da última sexta-feira (3) “O Brasil ama Jair Bolsonaro, por enquanto” sugere que o próximo presidente possa enfatizar “o lado mais sujo de sua agenda”, caso encontre empecilhos para levar a frente o seu plano de reformas, privatizações e abertura econômica. Isso incluiria encorajar a “polícia a matar suspeitos” e lutar contra uma “suposta influência gay nas escolas”.

Num tom mais agressivo, a também inglesa The Guardian Weekly, publicada na quinta-feira (2), e ligada ao tradicional jornal de esquerda The Guardian, estampa em sua capa a bandeira do Brasil com os dizeres: “Bolsonaro e a queda do Brasil progressista.” O texto o chama de demagogo e o compara a nomes como o do polêmico presidente filipino Rodrigo Duterte e ao do atual Primeiro-Ministro da Itália Matteo Salvini, avesso à União Europeia e associado ao movimento neonacionalista italiano.

Na Alemanha, a famosa edição de domingo (4) do Der Targesspiegel dedica boa parte da sua segunda página as primeiras ações de Bolsonaro após as eleições. O seu comentário de que poderia cortar verbas publicitárias do governo federal ao jornal Folha de São Paulo e a nomeação do juiz Sergio Moro ao Ministério da Justiça são vistas como polêmicas. No entanto, a matéria chama atenção ao medo dos europeus diante da ameaça de fusão do Ministério do Ambiente com o Ministério da Agricultura, da qual Bolsonaro parece ter desistido.

Já a mais tradicional publicação semanal alemã, a revista Der Spiegel, na última sexta-feira (2), publicou um texto em que afirma que Bolsonaro é um grande fã de Donald Trump, e que sonha em alinhar o Brasil a um eixo internacional de governos populistas.

Na França, em análise voltada à globalização do populismo, o jornal Le Monde do último domingo (4) coloca Bolsonaro no mesmo grupo a que Donald Trump, Rodrigo Duterte, e mesmo Nicolás Maduro pertenceriam. A publicação indica que esses líderes chegaram ao poder opondo o povo às elites econômicas e políticas de seus países. No final, Bolsonaro é desenhado como um conservador religioso, com fracos valores ecológicos, mas com grande disposição à abertura econômica do Brasil.

Em meio a este cenário pouco caloroso, há também aqueles que simpatizam com o político brasileiro. O maior banco da Alemanha, o Deutsche Bank, tuitou pouco antes do segundo turno que ele seria o “candidato desejado do mercado”. Já o partido Alternativa para Alemanha (AFD), que detém 13,3% das cadeiras no parlamento alemão, o parabenizou também através da conta de um de seus líderes (Petr Bystron) no Twitter. A própria The Economist assumiu que o mercado está animado com o novo presidente sul-americano, afirmando que algumas de suas reformas na área econômica e especialmente no setor da previdência são necessárias para a retomada do crescimento do país.

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