Sem recursos para novos presídios, solução será ‘amontoar’, diz Bolsonaro

Fonte: huffpostbrasil

Prevendo conflito com o STF, presidente eleito disse que chamará ministros para conversar sobre o tema.
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) é entrevistado por José Luiz Datena, na Band.

Reprodução/Band
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) é entrevistado por José Luiz Datena, na Band.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta segunda-feira (5) que, se o governo federal não tiver recursos para ampliar presídios, a saída será “amontoar” presos.

“A cadeia, se você tiver recursos, amplia. Ninguém quer torturar ninguém dentro da cadeia. Mas se não tiver recursos, amontoa”, disse Bolsonaro em entrevista à Band. “Se não tiver recursos, lamento, você vai ter que amontoar esses caras lá.”

A declaração foi dada quando Bolsonaro comentava reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal O Globo, segundo a qual a política de endurecimento penal defendida pelo presidente eleito vai esbarrar em decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal), que já declarou o “estado de coisas inconstitucional” dos presídios brasileiros.

A fim de resolver o impasse com o Judiciário, Bolsonaro afirmou que vai procurar os ministros para propor que façam “política juntos”.

“Eu vou procurar o Supremo Tribunal Federal e falar para o nosso presidente Dias Toffoli que temos que fazer política juntos para solucionar esse problema. Não basta eu ficar do lado de cá brigando com o Legislativo, [para] aprovar as coisas, e o Supremo lá na frente derrubar. Nós temos que trabalhar juntos porque nós estamos no mesmo barco”, disse Bolsonaro.

Em fevereiro de 2017, o plenário do STF decidiu que o poder público deve indenizar presos em unidades superlotadas.

Questionado sobre o fortalecimento de facções criminosas como consequência do aumento do encarceramento, Bolsonaro tergiversou: disse querer acabar com as saídas temporárias e com a progressão de pena, outros pontos de potencial conflito com o STF no futuro.

O discurso a favor do encarceramento em massa não é novo. Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que iria “entupir a cadeia de bandidos” e que a solução para a superlotação dos presídios seria colocar “um [preso] em cima do outro”.

“Doutrinação” nas escolas

Bolsonaro voltou a criticar o que chamou de “doutrinação” nas escolas.

Questionado sobre se concorda que alunos gravem vídeos de professores em sala de aula, ele disse não ver “problema nenhum” na prática.

“Eu acho que o professor tem que se orgulhar, e não ficar preocupado. Só o mau professor é que se preocupa com isso daí”, afirmou.

O presidente eleito também criticou questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) sobre dialeto específico da comunidade LGBT e disse que “particularidades de minorias” não terão espaço em seu governo.

“Não podemos supervalorizar a questão de minorias. O meu Ministério da Educação não tratará de assuntos dessa forma. Tratará, sim, de assuntos de interesse sobre a nossa história, a nossa cultura, e não particularidades de minorias.”

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