Como Porto Rico está usando computação na nuvem para vencer o zika

Fonte: ÉPOCA

O surto da doença deixou a região e o governo norte-americano em estado de alerta desde 2015
Mosquito Aedes aegypti é transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika (Foto: Paulo Whitaker/REUTERS)Mosquito Aedes aegypti é transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika (Foto: Paulo Whitaker/REUTERS)

Embora a maioria das mais de 30 espécies de mosquitos espalhadas por Porto Rico, ilha do mar do Caribe localizada na América Central, não representem risco à saúde, o Aedes aegypti, mosquito transmissor do chikungunya, dengue, zika e outras doenças virais, deixou a região e o governo norte-americano em estado de alerta desde 2015, quando a região passou por um surto de zika vírus.

Para combater a ameaça, uma iniciativa da Unidade de Controle de Vetores de Porto Rico reúne pesquisadores que estudam a resistência a inseticidas, aplicam larvicidas em criadores, conscientizam os moradores sobre prevenção e quantificam os mosquitos capturados nas mais de 1.300 armadilhas espalhadas pela região utilizando um aplicativo de iPhone para a vigilância de vetores utilizando sistemas de informação.

Quando um local concentra alto número de Aedes, o software pode designar automaticamente os agentes para identificarem os locais de reprodução do mosquito e coletarem amostras. Com a tecnologia, é possível extrair dados da nuvem para determinar quais armadilhas atraíram o maior número de fêmeas do Aedes, responsáveis pela transmissão de vírus, e identificar as casas onde os larvicidas foram aplicados.

Criada em 2016, a Unidade de Controle de Vetores de Porto Rico espera receber US$ 65 milhões ao longo de cinco anos para o projeto (Foto: Reprodução/Facebook)Criada em 2016, a Unidade de Controle de Vetores de Porto Rico espera receber US$ 65 milhões ao longo de cinco anos para o projeto (Foto: Reprodução/Facebook)

Ao concluir automaticamente tarefas demoradas da noite para o dia usando os dados coletados pelos funcionários, o software também é capaz de descobrir quais armadilhas e residências devem ser verificadas pelos agentes no dia seguinte.

Ao site Bloomberg, César Piovanetti, que supervisiona a arquitetura de tecnologia de informação da unidade, diz que, em vez de esperar que alguém seja infectado para que o local seja marcado, a ideia é que a iniciativa seja proativa mapeando focos de mosquitos e reduzindo o risco de infecção. “Não seria possível fazer este projeto sem a nuvem”, diz ele. “Precisamos processar uma enorme quantidade de dados e disponibilizá-los para os funcionários rapidamente.”

Criada em 2016, a Unidade de Controle de Vetores é um programa da Fundação para a Ciência, Tecnologia e Pesquisa de Porto Rico e espera receber US$ 65 milhões dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças ao longo de cinco anos para o projeto, que conta com cerca de 100 funcionários.

Embora os trabalhadores de campo tenham coletado mais de 300 mil fêmeas do mosquito e o número de casos de zika, dengue e chikungunya já sejam baixos, as doenças transmitidas ainda representam um grande ameaça para Porto Rico. Para acelerar o processo de contagem de ovos dos mosquitos, que não chegam a ser maiores que um grão de sal, a unidade utiliza algoritmos especiais desenvolvidos pela Wovenware, uma empresa porto-riquenha que faz software de análise preditiva.

Os técnicos de laboratório enviam fotos dos ovos recolhidos pelos trabalhadores de campo para um programa de execução na nuvem e são analisadas pelo software, que fornece a contagem e dá aos funcionários do laboratório mais tempo para processar amostras, pesquisar resistência a inseticidas e expandir áreas de vigilância. O trabalho é realizado nos moldes de tecnologias desenvolvidas pela empresa para detectar objetos em imagens de satélite para clientes como o Departamento de Defesa dos EUA.

O software também poderá avaliar se um novo ovo eclodiu, além de contar e identificar adultos por espécie e sexo, conforme explica Carlos Meléndez, co-fundador e chefe de operações da Wovenware à Bloomberg. “Nosso objetivo é entender por que eles se reproduzem tão bem em alguns lugares e o que podemos fazer como sociedade para reduzir drasticamente suas populações.”

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