Moro aceita convite e será ministro da Justiça de Bolsonaro

Fonte: UOL

O juiz federal Sergio Moro, que comanda as ações penais da Operação Lava Jato em Curitiba, aceitou o convite e será o futuro ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PSL). O juiz se reuniu na manhã deste quinta-feira (1º) com presidente eleito e, depois de deixar a residência, divulgou nota em que afirma que se sente honrado com o convite e que pretende, como ministro, “consolidar os avanços contra o crime e a corrupção”.

Batizado de “supeministério”, a pasta vai somar as estruturas da Justiça, Segurança Pública (inclusive a Polícia Federal), Transparência e Controladoria-Geral da União, além do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último hoje ligado ao ministério da Fazenda.

Moro informou que deve “desde logo” se afastar de novas audiências da Lava Jato, para evitar o que chamou de “controvérsias desnecessárias”.

A reunião entre os dois e o economista Paulo Guedes e durou cerca de uma hora e meia. “Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura”, escreveu Moro.

No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior

Sergio Moro, em nota em que aceita convite para o Ministério da Justiça

Segundo o juiz, a Lava Jato seguirá em Curitiba com “os valorosos juízes locais”. “De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências”, anunciou.

O magistrado informou ainda que concederá entrevista coletiva na próxima semana, para dar maiores detalhes. O comunicado é assinado de Curitiba, apesar de Moro ainda estar no Rio de Janeiro.

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O juiz Sergio Moro logo após ter aceitado o convite para assumir o Ministério da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Leia a íntegra da nota de Sergio Moro:

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão.

Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes. Curitiba, 01 de novembro de 2018. Sergio Fernando Moro

Logo após o juiz confirmar que aceitou o convite, Bolsonaro confirmou em sua conta no Twitter e disse que “respeito à Constituição e às leis será o nosso norte!”.

“O juiz federal Sergio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua agenda anticorrupção, anticrime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis será o nosso norte!”, escreveu.

Como foi a visita de Moro a Bolsonaro

Moro deixou em silêncio a casa do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), após reunião. Ao deixar a casa, o magistrado não comentou o convite para assumir o Ministério da Justiça, que abarcaria ainda as áreas de segurança e de combate à corrupção.

O futuro ministro chegou e saiu do condomínio onde Bolsonaro mora, na Barra da Tijuca, na zona oeste, em um carro da Polícia Federal. O encontro durou cerca de 1h30. Com segurança reforçada, o juiz da Lava Jato evitou contato com a imprensa e com os populares que se aglomeravam em frente à propriedade. O magistrado voltará para Curitiba ainda nesta tarde —

Na quarta-feira (30), Bolsonaro havia afirmado, pelo Twitter, que todos os ministros seriam anunciados por ele próprio, nas redes sociais. Até o momento, foram confirmados quatro nomes: Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para a chefia da Casa Civil; general Augusto Heleno (PRP-DF) para a pasta da Defesa; Paulo Guedes para a Economia; e o astronauta Marcos Pontes para a Ciência e Tecnologia.

Ian Cheibub/Folhapress

O juiz Sergio Moro deixa casa de Bolsonaro após aceitar ministério

Moro chegou ao condomínio por volta das 9h. No voo que o levou de Curitiba ao Rio, o juiz disse que havia “uma possibilidade” de aceitar o convite. “Mas, como eu disse, é tudo muito prematuro”, declarou ele a um grupo de jornalistas que embarcaram na mesma aeronave. Ele afirmou ainda que o país necessita de uma “agenda anticorrupção” e uma “agenda anticrime organizado”, ensaiando quais seriam suas prioridades à frente da pasta da Justiça.

De acordo com declarações recentes de Bolsonaro, a ideia seria delegar ao magistrado um superministério, que uniria as estruturas de Justiça, Segurança Pública, Controladoria-Geral da União e Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último atualmente ao Ministério da Fazenda. “O país precisa de uma agenda anticorrupção e uma agenda anticrime organizado. Se houver a possibilidade de uma implantação dessa agenda, convergência de ideias, como isso vai ser feito.”

O juiz foi citado por Bolsonaro em entrevistas à imprensa como o nome ideal para assumir a pasta no dia seguinte à eleição. O vice do presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), porém, disse que a primeira abordagem aconteceu ainda durante a campanha.

O decano da Corte, ministro Celso de Mello, terá que deixar o posto compulsoriamente em 2020, mas outro ministro pode se aposentar antes, se assim quiser.

Circula no entorno de Bolsonaro, inclusive, a informação de que o compromisso de Bolsonaro com o juiz federal seria cumprido por Mourão se eventualmente ele assumir a Presidência por algum motivo, seja em caso de impeachment ou morte do presidente.

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