Gabinetes de Bolsonaro e aliados viram alvos de “peregrinação” por ajuda e auto-indicação

Fonte: UOL

  • 25.out.2018 - Imagem do gabinete do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), na Câmara

    25.out.2018 – Imagem do gabinete do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), na Câmara

A movimentação já havia começado ao decorrer da campanha e, agora, com Jair Bolsonaro (PSL) eleito presidente da República, intensificou-se. Os gabinetes dele, do filho deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) e do futuro ministro-chefe da Casa Civil, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), viraram alvo de peregrinação por desconhecidos com pedidos de ajuda.

Segundo um assessor relatou à reportagem, somente nesta terça-feira (30), cerca de 80 pessoas passaram pelos gabinetes de Jair e Eduardo Bolsonaro, situados lado a lado no anexo 3 da Câmara, com pedidos diversos. Os visitantes são atendidos conforme a capacidade dos trabalhos das equipes.

Uma senhora esperou quatro horas na tarde desta quarta (31) para conseguir falar com Eduardo. Atrasado para um compromisso, ele a atendeu com atenção enquanto andavam no corredor rumo à saída da Casa.

“Desculpas mesmo. Está sendo muito, muito corrido”, disse. Ao cumprimentar com um aperto de mão, pediu desculpas novamente pelo jeito um pouco desengonçado, pois está com parte do membro machucado.

A sala de Onyx Lorenzoni, que se reuniu com o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, teve de ser fechada por causa da grande quantidade de pessoas.

Cada um dos três gabinetes comporta confortavelmente, em pé, aproximadamente 10 pessoas e é composto por duas salas. Uma é a área de recepção com bancadas para assessores. A outra consiste na sala privativa do parlamentar. A depender do cargo ocupado no Congresso, o gabinete pode ser maior e mais luxuoso.

De ajuda para dívidas a “oferecido” para ministério

As causas para a ida aos gabinetes são as mais variadas, porém, muitas envolvem pedidos de ajuda para o pagamento de dívidas. De acordo com relato feito à reportagem, nesta quarta (31), um dono de mineradora de ouro e diamante apareceu no gabinete de Eduardo Bolsonaro solicitando que o parlamentar arranjasse uma maneira de parcelar uma dívida dele de R$ 500 mil, porque não tinha o dinheiro.

O UOL perguntou a um assessor se muitos apareceram com pedidos semelhantes e ouviu como resposta: “Nesse nível? De pedir? É só o que pedem! É só o que acontece aqui agora. Falei ‘você quer que a gente comece um governo assim? É desse jeito? Meu amigo, aqui é um gabinete de deputado federal. Como é que você vem pedir uma coisa dessas?'”

Durante o segundo turno, quando Jair Bolsonaro disputava o Planalto com Fernando Haddad (PT), outro homem chegou ao gabinete dizendo que queria antecipar a restituição do Imposto de Renda furando a fila do governo, porque ele precisava do valor para quitar o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

Nesta semana, um 2º sargento da Aeronáutica apareceu se oferecendo para o posto de ministro da Defesa no próximo governo. “Ele se colocou. Acho até bacana. Ele pensou ‘acho que tenho o perfil para ser ministro’. Eu disse ‘olha, agradeço sua disposição, mas o Bolsonaro já escolheu o general Augusto Heleno'”, afirmou o assessor que o recebeu.

Veja quem são os ministros confirmados para o governo Jair Bolsonaro4 fotos

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CIÊNCIA E TECNOLOGIA – Marcos Pontes é tenente-coronel da FAB (Força Aérea Brasileira), atualmente na reserva, e foi o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço. Em 2014, foi candidato a deputado federal de São Paulo pelo PSB, mas não se elegeu. Em 2018, Pontes foi eleito 2º suplente do senador por São Paulo Major Olimpio (PSL-SP). VEJA MAIS > Imagem: Bruno Castilho/Futura Press/Folhapress

General e aliados cortejados

Os dias também estão corridos para o general Augusto Heleno e demais aliados do presidente eleito, com demandas de jornalistas e auxiliares para promover a transição. Nesta quarta, o futuro ministro da Defesa teve de interromper a conversa por telefone com a reportagem para atender a outra ligação. Quando retornou, pediu desculpas e disse estar com o celular sobrecarregado.

“Estou recebendo umas 120 ligações por dia. Mais de 400 mensagens. Apita toda hora. Desculpas, mas vamos lá. Vamos retomar”, falou, suspirando.

Relatos parecidos ocorreram com parlamentares envolvidos no novo governo e assessores nos últimos dias. “O senador pediu para eu atender o celular dele. Retorna em 10 minutos, por favor, porque ele está conversando com um grupo”, pediu uma assessora.

“Insiste nas mensagens, pode mandar. Não desiste. Só não respondo na hora porque são centenas no celular. Às vezes fica tudo acumulado. Não consigo parar para ler tudo”, disse outro.

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