Telescópio espacial Kepler é oficialmente aposentado pela NASA

Fonte: Yahoo

Como já estava previsto desde o início do ano, chegou o fim da linha para o telescópio espacial Kepler, que ficou conhecido como o “caçador de exoplanetas”. A agência espacial dos Estados Unidos anunciou a “morte” do Kepler nesta terça-feira (30), explicando que o motivo para o triste fim do telescópio é mesmo o que já esperávamos: acabou-se o combustível.

O Kepler entrou para a história por ter permitido a descoberta de mais de 2.600 exoplanetas (aqueles que orbitam outras estrelas além do nosso Sol) e, graças a dados obtidos por meio dele, pudemos colher uma amostra estatística razoável sobre outros sistemas estelares, verificando que entre 20 e 50% das estrelas da Via Láctea têm planetas potencialmente rochosos nas zonas habitáveis de seus sistemas. E nada disso era sabido até pouquíssimo tempo atrás — apenas especulado.

A missão do Kepler começou em 2009, sendo que, em 2013, um de seus giroscópios falhou. Mas a NASA conseguiu estabilizar o apontamento do telescópio no ano seguinte usando a pressão da radiação solar como se fosse um giroscópio adicional e, assim, nasceu a missão K2, proporcionando mais uma série de descobertas sem precedentes até agora, em 2018.

Na semana passada, então, o Kepler foi colocado em modo de segurança por já estar com um nível muito baixo de combustível e, agora, depois de baixar o último lote de dados coletados por ele, a agência espacial decidiu aposentá-lo de uma vez por todas.

Nas palavras de Thomas Zurbuchen, vice-administrador do diretório de ciência espacial da NASA: “Como a primeira missão caçadora de exoplanetas da NASA, o Kepler superou vastamente todas as nossas expectativas, pavimentando o caminho para a nossa exploração e busca por vida no Sistema Solar, e além. Não somente ele nos mostrou que muitos planetas existem lá fora, como ele alavancou um novo e robusto campo de pesquisa que tomou a comunidade científica como se fosse uma tempestade. Suas descobertas jogaram nova luz sobre nosso lugar no universo e iluminaram mistérios e possibilidades tantalizantes entre as estrelas”.

Já William Borucki, cientista aposentado do Ames Research Center da NASA, disse que “quando começamos a conceber esta missão há 35 anos, não conhecíamos um único planeta fora do Sistema Solar” e “agora que sabemos que planetas estão por toda parte, o Kepler nos colocou em um novo curso que é promissor para as futuras gerações explorarem nossa galáxia”.

Alguns números históricos do Kepler: destaque para mais de 530 mil estrelas observadas, 678 GB de dados coletados e 2.662 exoplanetas confirmados (Imagem: NASA)

Lançado no dia 6 de março de 2009, o Kepler foi construído com técnicas de ponta na medição do brilho de estrelas (permitindo a análise do trânsito — quando planetas passam em frente a uma estrela, há uma variação de brilho que pode ser observada daqui da Terra) e também contando com a maior câmera digital até então já desenvolvida para observar o espaço. Seu sucessor é o telescópio TESS, lançado ao espaço em abril de 2018, com a missão de continuar a “caça” por exoplanetas iniciada pelo Kepler (mas em proporções ainda maiores).

Com o TESS aliado à evolução da computação, espera-se que os cientistas possam identificar planetas em trânsito não somente com mais facilidade, mas também com uma riqueza ainda maior de detalhes. Muitos outros mundos ainda serão descobertos e, quem sabe, em um futuro não muito distante teremos a confirmação de que existe vida em outros planetas além da Terra.

Mas o número de exoplanetas potencialmente habitáveis encontrados pelo Kepler pode ser menor

Cerca de 30 exoplanetas que têm aproximadamente o tamanho da Terra, descobertos pelo Kepler, foram considerados como potencialmente habitáveis. Isso significa que, de acordo com os dados observados, eles têm condições ideais para que haja água em estado líquido em sua superfície, e análises de suas composições químicas mostram que ali podem haver todos os ingredientes necessários para que a vida floresça.

Mas a coisa pode não ser bem assim como os pesquisadores vinham acreditando. Novas observações, obtidas pela sonda Gaia da agência espacial europeia (ESA), sugerem que o número real pode ser algo entre dois e doze planetas que realmente tenham condições de habitabilidade.

A Gaia foi lançada em 2013 com a missão de criar um mapa 3D ultrapreciso da Via Láctea e, até agora, o mapa já inclui posições de cerca de 1,7 bilhão de estrelas. Suas observações sugerem que algumas das estrelas analisadas pelo Kepler são, na verdade, maiores e mais brilhantes do que se acreditava até então e, portanto, planetas orbitando essas estrelas específicas também devem ser maiores e mais quentes do que o imaginado.

Arte mostra o exoplaneta Kepler-186f, o primeiro rochoso que o Kepler descobriu na zona habitável de uma estrela, em 2014 (Imagem: NASA)

De qualquer maneira, ainda que a análise de dados do Kepler tenha sido otimista demais na hora de determinar a quantidade de exoplanetas potencialmente habitáveis, não há por que se desencorajar em continuar essa busca lendária. Os dados da Gaia, que contradizem os do Kepler, apenas indicam que astrônomos, astrobiólogos e cientistas planetários ainda têm muito o que aprender sobre o que torna um planeta, de fato, habitável.

Ainda, basear o conceito de habitabilidade apenas na distância orbital é algo genérico demais: é preciso considerar outros fatores, como a massa do planeta, que influencia sua capacidade de se manter com uma atmosfera — e a composição atmosférica afeta (e muito) a temperatura do planeta. Além disso, considerar a existência de água líquida para determinar se ali pode haver algum tipo de vida também pode ser um erro bastante humano de se cometer.

É que, na Terra, a água é essencial para que a vida exista. Mas quem disse que todo e qualquer tipo de vida que possa ter florescido em nosso universo realmente depende da água, como aconteceu em nosso planeta? Ainda, buscar por água na superfície é outro erro; afinal, luas do próprio Sistema Solar (como Encélado, de Saturno, e Europa, de Júpiter) são candidatas em potencial para abrigar vida, ainda que microbiana, em seus oceanos subterrâneos, sem que haja água líquida superficial.

Fonte: Canaltech

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