Empresas brasileiras dispensam o diploma na hora de contratar

Fonte: ÉPOCA

Nubank, Movile, Loggi e Creditas estão entre as empresas brasileiras que não obrigam candidatos a apresentar formação universitária
Logotipo da Nubank, startup brasileira, é retratado na sede do banco em São Paulo (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)Logotipo da Nubank, startup brasileira, é retratado na sede do banco em São Paulo (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

A Movile, especializada em serviços móveis e dona de marcas como o iFood, não exige diploma universitário para nenhuma vaga. A Creditas segue a mesma política. No Nubank, o diploma é visto como “referência” e não “ponto de corte”. Na ThoughtWorks, o documento não é solicitado na hora da admissão.

Levantamento solicitado por Época NEGÓCIOS à plataforma Love Mondays mostra que há empresas brasileiras dispensando a obrigatoriedade do diploma na hora de contratar. Na prática, significa que muitos candidatos não precisam ter formação universitária para ocupar diversas funções ou cargos. As informações foram enviadas por diretores de RH e coletadas no final de agosto.

Um traço em comum entre muitas das empresas que aparecem no levantamente é que são startups. Elas seguem uma política praticada nos Estados Unidos por gigantes, como Google, Amazon e IBM, segundo o site de vagas Glassdoor.

A lista abaixo mostra as práticas de algumas das empresas consultadas pela Love Mondays.

Creditas: não exige diploma universitário para nenhuma posição, é um “diferencial para contratar desenvolvedores”;

EBANX: não exige para desenvolvedores;

e-Core: não exige para support engineer, premier support engineer, senior support engineer, analista de RH, desenvolvedor de software, suporte a aplicações e consultoria;

Loggi: não exige para auxiliar e analista de logística;

Movile: não exige a apresentação de diploma para praticamente nenhuma posição

Nubank: não exige para engenharia de software, customer experience analyst, business analyst;

Quero Educação: não exige para BI, planejamento comercial, guia do aluno, account manager, vendedor, bussiness development, auxiliar de serviços gerais, UX/UI designer, product design, executive assistant e todas as vagas de desenvolvimento;

ThoughtWorks: o diploma não é cobrado como documento admissional para nenhuma posição. Vagas mais comuns na empresa: desenvolvedor de software, analista de qualidade, analista de negócios, designer de experiência.

A dispensa do diploma é motivada principalmente por dois fatores. O primeiro deles, segundo Luciana Caletti, CEO da Love Mondays, é a diversidade. As empresas estão se esforçando para atrair pessoas com perfis e formações diferentes. “Se o corte na seleção dos currículos for feito pelo nome da faculdade que o candidato fez, fica difícil gerar diversidade na empresa. Fica difícil recrutar pessoas com orientações, gêneros, conhecimentos e experiências de vida diferentes. E as empresas perceberam que tudo isso gera mais valor.”

Escritório da Movile  (Foto: Divulgação)Escritório da Movile: diploma é coisa do passado na startup (Foto: Divulgação)

O segundo fator é técnico, como mostra Luciana Carvalho, diretora de gente (departamento de RH) da Movile. “Existem poucos cursos ou graduações que preparam as pessoas para o que precisamos e entendemos que existem outros caminhos que elas podem seguir. Então, tirar essa barreira do diploma facilita a contratação de pessoas que realmente possuem talento e não só um certificado”, diz. Na metade de 2018, a Movile estava com mais de 600 vagas abertas para a área de tecnologia. A maioria das vagas era para desenvolvedores, arquitetos de software e profissionais com experiência em produto.

No Nubank, a necessidade de formação específica, com diploma e tudo, é exceção. “Em poucos casos, o certificado universitário continua sendo muito importante, como para a área jurídica, por exemplo. Mas nós vemos o diploma muitas vezes como referência e não como ponto de corte”, diz Silvia Kihara, hiring lead do Nubank.

Na hora de selecionar currículos, o Nubank avalia as experiências anteriores do candidato, bem como a capacidade de comunicar esses projetos no currículo. “A forma como a pessoa se expressa no currículo é muito importante. Tem gente que manda currículo de dez páginas. Isso é muito ruim. As pessoas precisam saber o que priorizar, como contar uma experiência.”

Para avaliar se o candidato tem as competências e habilidades necessárias, a startup realiza exercícios práticos. Um desenvolvedor de software sempre precisa fazer um exercício de código, um gerente de produto precisa trabalhar em um case e criar soluções. Os candidatos são expostos, inclusive, à situações reais que o Nubank enfrenta. “Autonomia para ir atrás das coisas”, “capacidade de ouvir os outros” e “trabalhar em equipe” são habilidades comportamentais valorizadas pela startup independente do cargo.

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