Polícia indicia mãe e tia por denunciar falso sequestro de adolescentes no Recife

Fonte: G1

As garotas disseram que ficaram amarradas por seis dias e também respondem por ato infracional, segundo delegado. Testemunhas e exames provaram que denúncia era falsa.
O caso foi investigado pelo Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), na Zona Oeste do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View

O caso foi investigado pelo Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), na Zona Oeste do Recife — Foto: Reprodução/Google Street View

 

Duas mulheres foram indiciadas pela Polícia Civil por denunciar o falso sequestro de duas adolescentes em agosto, no Recife. Elas são mãe e tia das duas jovens, de 13 e 14 anos, que também respondem pela falsa denúncia.

Segundo as investigações, não houve o sequestro e a intenção das mulheres era punir um homem suspeito de estuprar uma das garotas, há dois anos.

Na versão contada pelas mulheres e confirmada pelas adolescentes, que são irmãs, elas teriam sido colocadas em um carro preto no dia 15 de agosto, ao saírem da escola, no bairro de Campo Grande, e levadas para um local desconhecido. Dois dias depois, a mãe e a tia prestaram a queixa.

De acordo com a polícia, no primeiro depoimento após o reaparecimento das garotas, as jovens disseram que foram sequestradas por três homens e permaneceram amarradas em uma casa por seis dias, comendo apenas pão e água.

“Nós temos a certeza de que não houve o sequestro ou o cárcere privado. Elas foram ouvidas, encaminhadas para o IML [Instituto de Medicina Legal], fizeram exames. Nada ficou comprovado. Nós ouvimos várias pessoas que disseram que estiveram com elas e que as viram com a mãe e a tia durante esses seis dias em que estariam desaparecidas”, afirma o delegado Ademir Oliveira, gestor interino do Departamento de Polícia da Crianças e Adolescentes (DPCA).

Delegado Ademir Oliveira, gestor interino do DPCA — Foto: Polícia Civil de Pernambuco/Divulgação

Delegado Ademir Oliveira, gestor interino do DPCA — Foto: Polícia Civil de Pernambuco/Divulgação

 

O inquérito, que teve início como investigação de pessoa desaparecida, foi transformado em crime de denunciação caluniosa. E, de vítimas, elas passaram a suspeitas. O inquérito foi remetido à Justiça. Se condenadas, a mãe e a tia podem pegar até oito anos de prisão.

As adolescentes, segundo a polícia, corroboraram a história e, com isso, devem responder por ato infracional análogo à denunciação caluniosa.

“Elas mobilizaram a Polícia Civil, a imprensa, o conselho tutelar, uma instituição de proteção às vítimas mantida pela Prefeitura do Recife, onde elas ficaram abrigadas. E tudo isso ficou provado que foi uma grande farsa”, diz o delegado.

Provas do falso sequestro

Segundo a polícia, os depoimentos de diversas pessoas do ciclo social delas foram cruciais para provar o falso sequestro.

O primeiro indício é referente ao dia em que elas supostamente teriam sido sequestradas. De acordo com o delegado, a adolescente de 13 anos dormiu na casa do namorado naquele dia. “Tanto provado por declaração do namorado, como pela mãe desse adolescente. Comprovadamente, ela passou a noite lá”, diz o delegado.

Segundo o delegado, no dia seguinte, um parente delas teria ido buscar a garota na casa do namorado. “Todos foram ouvidos e todos deram essa mesma versão”, diz Aldemir Oliveira.

Ainda de acordo com o delegado, a polícia ouviu outras pessoas que viram as garotas na comunidade onde moram durante o período em que estariam sequestradas. Algumas testemunhas as viram, inclusive, na companhia da mãe e da tia.

Alguns outros detalhes também foram observados pela polícia. “Elas não tinham marcas no corpo. Estavam tranquilas, muito bem para quem passou seis dias amarradas, comendo apenas pão e água”, diz o delegado.

Segundo o delegado, o que levou a família a inventar o sequestro foi o desejo de punir um homem que teria estuprado a adolescente de 13 anos em 2016, quando ela tinha apenas 11 anos.

“Uma delas foi vítima de um estupro praticado por um companheiro de uma madrinha, com quem ela morava. A intenção da mãe, restou provado, era de punir esse indivíduo. Elas dizem que foram sequestradas por três indivíduos, dois estariam encapuzados e um não. E o que não estava encapuzado, seria essa pessoa que no passado cometeu esse crime”, diz Ademir Oliveira.

Segundo o delegado, pessoas que estiveram com este homem durante o suposto período do sequestro também foram ouvidas, o que ajudou a confirmar que a versão contada pelas garotas era falsa.

De acordo com a polícia, o inquérito referente a esse caso de estupro já foi encaminhado à Justiça. Segundo o delegado Ademir Oliveira, o caso foi relatado à polícia mais de um ano após a data do crime e, por isso, segue sem mandado de prisão.

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