“Dinheiro não traz felicidade e ainda pode trazer frustração”, diz Barry Schwartz

Fonte: ÉPOCA

O psicólogo americano, autor do livro “Trabalhar para Quê?”, diz que remuneração não deve ser prioridade na carreira
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(Foto: Thinkstock)

Acordar cedo todos os dias para trabalhar — principalmente no frio e debaixo da chuva — exige uma grande motivação dos profissionais. Mas, acredite, esse estímulo não cai na conta bancária todo mês. Pelo menos é o que afirma o escritor americano Barry Schwartz em seu livro Trabalhar para Quê?, publicado no Brasil pela editora Alaúde.

Em conversa com Época NEGÓCIOS, o professor de psicologia da Swarthmore College, na Pensilvânia (EUA), afirma ser possível ter motivação na empresa mesmo recebendo um salário inferior ao pago pelo mercado. Para isso, o profissional precisa sentir que faz coisas relevantes e importantes para a sociedade.

Livro "Trabalhar para Quê", da editora Alaúde (Foto: Divulgação)
Livro “Trabalhar para Quê?”, da editora Alaúde (Foto: Divulgação)
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Como tornar um trabalho motivador?

Para um trabalho ser motivador, ele precisa se mostrar necessário à sociedade. É difícil, por exemplo, estar completamente satisfeito vendendo roupas em um shopping. Mas se você pensar no quanto pode ajudar uma pessoa ao oferecer um modelo de camiseta que ela precisa, por exemplo, vai se sentir útil ao concluir que fez a diferença na vida dela.

Os profissionais também precisam se sentir desafiados no trabalho. A maioria das empresas até oferece desafios à equipe, mas de forma tão desorganizada que não se reflete no dia a dia dos funcionários.

Aceitar uma proposta de emprego por dinheiro é uma estratégia ruim?

É uma péssima ideia colocar o dinheiro como prioridade, mas é necessário para a sobrevivência. A questão é se você vai trocar um emprego que gosta, e é suficiente para pagar suas contas, por outro apenas pela remuneração maior. É preciso pensar muito porque dinheiro não é garantia de felicidade. Pelo contrário, pode gerar uma imensa frustração.

Em seu livro, você diz que o trabalho repetitivo desagrada os profissionais. A industrialização contribuiu neste processo?
Sim. As indústrias trouxeram um modelo de repeticão funcional, em que os profissionais atuam como robôs. Hoje, no entanto, é consenso que uma produção pode funcionar de outra maneira. Um time de 12 pessoas, por exemplo, pode montar parte de um carro trocando as funções periodicamente, de forma que ninguém execute a mesma função durante um longo período. A estratégia pode parecer ineficiente, porque os funcionários têm de aprender atividades diferentes, mas no final eles entregam projetos de melhor qualidade porque estavam motivados.

O que os profissionais consideram mais chato e desmotivante no trabalho?

Fazer coisas irrelevantes. O profissional precisa sentir que o que ele faz é importante. Não quero dizer que todo mundo vai curar o câncer, mas que pequenas atitudes podem fazer a diferença para alguém. Cada pessoa pode mudar a vida de outra com o seu próprio talento. Um cabeleireiro tem potencial de elevar a autoestima de seu cliente com um simples corte de cabelo. Não é motivador?

Barry Schwartz, autor do livro "Trabalhar para quê?" (Foto: Divulgação)
Barry Schwartz, profesor de psicologia da Swarthmore College
(Foto: Divulgação)

Qual a importância dos líderes para manter a equipe motivada?

Os gestores têm duas missões: mostrar aos funcionários que o trabalho deles têm valor e dar liberdade para a equipe ser criativa e produzir com qualidade. Tudo, obviamente, com muito respeito.

É possível, então, ir ao trabalho todos os dias sem que isso seja uma obrigação?

Costumo dizer que pessoas sortudas trabalham e, no resto do dia, pensam no trabalho sem se importar com isso. E isso acontece porque elas estão engajadas e motivadas com o que fazem. Em alguns casos, até indicam a carreira aos filhos, com orgulho.

Claro que é preciso desligar um pouco do trabalho para descansar a mente, mas pensar no trabalho com carinho é melhor do que fazer o que odeia. Quando fazemos o que não gostamos, o tempo não passa e o dinheiro parece que nunca é suficiente.

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