A resposta conservadora

Fonte: Valor

“Há tendência em recusar o presente considerado caótico, deturpado (…) É uma sensação psíquica de desamparo e medo, daí se almeja uma ordem imaginária”, diz a psicanalista Maria Homem

No clipe “Lalá”, a rapper Karol Conka zomba dos homens que se consideram “os bons”, mas mal sabem fazer sexo. Em 2,58 minutos no YouTube, a artista negra que milita nas questões de gênero desmorona milênios de dominação patriarcal e misógina. Com quase 300 mil curtidas, 19 mil reprovações e mais de 17 mil comentários desde o lançamento, no ano passado, o vídeo é emblemático de um movimento que, de maneira explícita como nunca, eleva a uma condição de protagonismo mais da metade da população do planeta: as mulheres.

Esse conjunto numericamente majoritário, mas politicamente ainda minoritário, soma-se a outros dois movimentos capazes de balançar as antigas estruturas de poder da sociedade: o negro e o da comunidade LGBTQI. A visão é de Maria Homem, professora doutora da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), que recentemente mencionou o exemplo de Karol Conka em uma palestra. A pesquisadora enxerga no Brasil e no mundo uma escalada conservadora, destinada a neutralizar as forças disruptivas da velha ordem.

Movimentos de ruptura têm sido gestados durante séculos. Levaram à queda do Antigo Regime e ao florescimento do Estado moderno, período em que se forjou a troca da obediência cega às leis religiosas pelos questionamentos da ciência à luz da razão e a formação do Estado de direito. Entretanto, adventos recentes, como a revolução digital, deram a esses movimentos ritmo e intensidade inéditos, na leitura da psicanalista Viviane Mosé, doutora em filosofia pela UFRJ e diretora da Usina Pensamento. “Como no Renascimento, o momento atual é difícil. Vivemos a revolução do compartilhamento. É uma explosão de trocas e possibilidades. As coisas deixaram de ser binárias, e isso quebra estruturas, além de trazer muita angústia.”

Nos momentos de desestruturação, explica Viviane, as pessoas buscam uma âncora movidas pelo medo e pela sensação de insegurança: “Há tendência ao conservadorismo, na tentativa de retornar a um modelo anterior, mas que não voltará.” Como diz Maria Homem, que atua no Núcleo de Pesquisa Diversitas da USP e possui experiência nas áreas de psicanálise, cultura e estética, “há tendência em recusar o presente considerado caótico, maluco, deturpado e corrupto, que só tem ‘bandido, gay, música indecente’. É uma sensação psíquica de desamparo e medo, daí se almeja uma ordem imaginária”.

Segundo o Burke Instituto Conservador – que leva o nome de uma das referências do pensamento conservador, Edmund Burke -, o mundo Ocidental enfrenta a mais profunda crise em sua estrutura moral e de valores. “Diante das abruptas e perturbadoras mudanças que assolam a sociedade, o pensamento conservador tem sido redescoberto e revalorizado. Muitos indivíduos têm-se assumido como conservadores, preferindo, diante das mudanças que lhes são impostas, resguardar os princípios éticos e morais herdados de suas experiências familiares, religiosas e escolares”, informa o instituto.

Duas reações associam-se a essa tentativa de resgate, avalia Maria Homem. A primeira, o sentimento de nostalgia em relação a um passado idealizado como estável. A segunda, a chancela de uma força que traga de volta aquele mundo idílico, conhecido e seguro. O sujeito conservador pede uma autoridade que considera capaz de restaurar aquele passado. Um exemplo emblemático é a frase do presidente americano Donald Trump “Make america great again”, ou seja, trazer de volta um período que foi maravilhoso. “O raciocínio no Brasil é: ‘O país está um caos, tudo está frouxo, vamos colocar um messias no lugar certo porque, em dois anos, ele dará conta de tudo.” Assim, explica a professora, o conservador se submete a essa força, como se deixasse vir à tona núcleos inconscientes, infantis, que demandam um pai severo. “Um pai muito bravo, mas que é necessário para colocar ordem nessa criançada que perdeu o limite. É uma regressão em termos psicanalíticos”, analisa.

Os desejos por retrocesso, diz Viviane, sempre ocorreram ao longo da história, mas, em alguns períodos, deram-se de forma mais intensa. “Vivemos isso hoje no mundo todo com antissemitismo, neonazismo, terrorismo sem causa.” Ela menciona ainda proliferação de governos autoritários à direita e à esquerda, como na Hungria, Turquia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua – porque o conservadorismo não se restringe à direita, observa. Nesse contexto internacional, os EUA ajudam a dar pistas sobre o que ocorre no Brasil, segundo Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

Segundo ele, como os EUA viveram isso antes de outros países, lá já existe muita reflexão, ao que se deu a expressão de “guerras culturais”. Trata-se da ascensão de temas morais, como união homoafetiva, legalização das drogas, descriminalização do aborto, fim da pena capital. Eram assuntos periféricos e ganharam centralidade, passando a estruturar a pauta política com temas tradicionais das campanhas: saúde, educação, segurança e política econômica.

Para Ortellado, o fenômeno se aplica ao Brasil. Segundo ele, os primeiros artigos tentando nomear o que houve nesse sentido nos EUA datam de 1989, 1990, na era de George Bush pai. Aqui, a discussão passou a ocorrer nos últimos cinco anos. Temas como porte de armas, educação sexual na escola e ideologia de gênero ajudam a estruturar a campanha presidencial brasileira. “É um fenômeno novo. Está na centralidade da agenda política do detentor de quase um terço das intenções de voto [Jair Messias Bolsonaro].”

Pesquisa do Ibope Inteligência revela crescimento significativo no grau de conservadorismo do brasileiro em relação a 2010. O índice reflete a proporção de brasileiros que apoiam ou não cinco temas: casamento de pessoas do mesmo sexo, legalização do aborto, redução da maioridade penal, prisão perpétua para crimes hediondos e adoção da pena de morte. Em 2010, primeiro ano da série histórica, o número era de 0,657, em uma escala de zero a um, sendo o valor mais baixo atribuído ao perfil mais liberal e o mais alto, ao perfil conservador. Em 2016 passou a 0,686 e hoje está em 0,689 (ver gráficos).

Para o Ibope, outra maneira de ler esses resultados é por meio da classificação do grau de conservadorismo em níveis baixo (índice entre 0,0 e 0,3) médio (0,4 e 0,6) e alto (0,7 e 1,0). Dessa maneira, a proporção da população com alto grau de conservadorismo cresce de 49% em 2010 para 54% em 2016 e chega a 55% em 2018. Apresentam aumento no índice de conservadorismo especialmente os mais velhos, os mais escolarizados, os moradores das regiões Nordeste e Centro-Oeste, com renda familiar de dois a cinco salários-mínimos e não é católico nem evangélico.

Olhando um horizonte mais longo, entretanto, Ortellado considera que essa ascensão é uma reação a conquistas do campo progressista nos últimos 30 anos, obtidas com o avanço dos movimentos feminista, negro e LGBTQI. “O conservadorismo já foi predominante há duas ou três décadas e está se defendendo para não desaparecer. Essa é a leitura que o próprio movimento conservador faz de si. Eles não se veem em ascensão, e, sim, como uma espécie de bunker resistindo a um apocalipse moral da sociedade”, diz.

Por isso Ortellado qualifica a escalada como aparente. “Não é ascensão, é o reflexo de uma organização política de quem está perdendo terreno. Enquanto era majoritário, não precisava ser politicamente organizado.” Ele lembra que os conservadores já não são dominantes nos principais meios que formam valores – a mídia, as artes, as escolas e universidades. O conservadorismo moral, diz, praticamente desapareceu nessas instituições, que têm o papel de formar gerações. Isso faz com que as forças conservadoras se organizem politicamente contra elas.

Para o professor de ciência política da USP José Álvaro Moisés, há uma escalada no sentido de maior expressão de forças conservadoras da direita e da extrema direita no Brasil. “Até recentemente essas forças estiveram escondidas e envergonhadas de se expressar. Agora fazem isso de maneira mais direta e em grande parte articuladas em torno da candidatura do deputado Jair Bolsonaro à Presidência da República.”

Moisés é autor de pesquisas de opinião sobre política no Brasil desde os anos 80, nas quais algumas questões colocam para o entrevistado três opções: escolher a democracia, escolher a ditadura em algumas circunstâncias ou não ver importância em nem uma coisa, nem outra. Nos levantamentos realizados nos anos 80, 90, início dos anos 2000, 2006 e 2014, a preferência pela democracia se consolidou, mas sempre permaneceu um resíduo, em torno de 14% a 16%, que prefere a ditadura.

Em sua análise, esse é o contingente que inicialmente surgiu de base para as preferências que hoje apoiam Bolsonaro. O número cresceu ao receber uma nova leva de eleitores que, embora não sejam ideologicamente de direita ou conservadores, estão indignados com a política. “Não apenas a corrupção, os desvios e os desmandos, mas também a ineficiência dos serviços públicos, como a educação e o SUS.”

A segurança, destaca ele, é o ponto fraco da candidatura de Fernando Haddad (PT). “A esquerda tem dificuldade em desenvolver políticas de segurança eficientes porque entende que pagar bem a Polícia Militar e investir em inteligência é, de alguma maneira, voltar à síndrome da ditadura militar, quando essas são duas coisas completamente diferentes.”

Essas pessoas, que se sentem desrespeitadas, não encontraram em outros candidatos que não Bolsonaro um discurso para capturá-las e galvanizá-las a fim de promover mudança no país, observa Viviane. É o segmento que consolida uma posição mais conservadora em relação a direitos de minorias e a políticas de segurança. “Esse segmento nem sempre tem elaboração para entender a complexidade da situação econômica, da situação que exige a retomada do desenvolvimento.”

Adriano Gianturco Gulisano, professor de ciência política do Ibmec de Minas Gerais, lembra que o Brasil é um país em média tradicionalista (como mostram os mapas criados pelos cientistas políticos Ronald Inglehart e Christian Welzel), mas que foi decisiva na escalada conservadora a onda antipetista e anticomunista, alimentada pelo “fracasso do governo Dilma, com débâcle econômica associada à corrupção para manutenção no poder”. “Descobriu-se que o marxismo não funciona e que eles são iguais aos outros, não são puros e nem mais limpos.”

Para Moisés, há outro fator estruturante que explica a ascensão conservadora e não se restringe ao Brasil: a crise das democracias representativa. À medida que partidos esvaziaram em conteúdo, líderes populistas ocuparam espaço e regimes perderam a capacidade de incluir pessoas comuns no sistema. “Grandes corporações e bancos tomaram de tal modo o controle das políticas econômicas, sob a égide da globalização e da internacionalização da economia, que a concentração da riqueza é maior agora que 10, 20 ou 30 anos atrás. Inclusive estatísticas mostram que a fome no mundo voltou a crescer.”

Diante disso, a reação mais simplista do cidadão é rejeitar os intermediários e partir para soluções diretas com a autoridade, observam analistas. Para isso, a internet e as redes sociais se apresentam como meios ideais, ignorando estruturas formais de representatividade. A via é de mão dupla: políticos de direita, como Trump, usam e abusam dos meios digitais, como Twitter, para falar diretamente aos eleitores. “O mesmo tem ocorrido no Brasil com Bolsonaro e João Amoêdo [Novo]”, diz Gianturco.

O professor atribui ao advento da internet parte do fortalecimento da direita. Segundo ele, foi na rede que esses grupos encontraram o lócus e as ferramentas para se organizar e formar repertório, dado que o pensamento marxista já tinha dominado o ambiente de escolas, universidades, sindicatos e até mesmo alas da Igreja Católica. “Antes, as pessoas tradicionalistas e de direita estavam mais difusas, não havia lugares onde pudessem se reunir, ao contrário da elite acadêmica e jornalística, que é fortemente de esquerda, em especial na América Latina”, afirma Gianturco. Além disso, a direita tinha receio de se expor publicamente por causa da ditadura, diz. Quem mostrava a cara nas ruas era a esquerda, com o “Fora FMI”, “Abaixo as Privatizações”.

Para ele, o que tem permitido à direita se reunir e se organizar, inclusive para ocupar as ruas (por exemplo, “Fora Dilma”), são as plataformas digitais como WhatsApp, Facebook, Twitter e YouTube – canal em que conservadores como Olavo de Carvalho, maior referência desse campo no Brasil e hoje radicado nos Estados Unidos, dá aulas on-line para milhares de alunos.

O Burke Instituto é outro exemplo do uso de canais digitais para fomentar conteúdo. Declara que seu objetivo é formar repertório para fundamentar argumentos conservadores, pois adeptos desse campo não sabem como se defender quando sua postura é questionada. Por meio de cursos on-line, o instituto propõe-se a explicar os elementos do universo conservador, “lançando luz sobre diversos temas controversos que têm sido debatidos de forma enviesada e tendenciosa pela grande mídia e pela academia”.

Segundo Ortellado, como o meio intelectual no Brasil é dominado pelos progressistas, o pensamento conservador não foi desenvolvido academicamente e por isso é pouco sofisticado – exceção feita ao campo do liberalismo econômico, no qual, em sua opinião, houve avanços. “O meio acadêmico brasileiro não está produzindo intelectuais conservadores, ao contrário dos EUA, onde há uma geração intelectualmente sofisticada. Aqui não teve esse fenômeno ainda.”

Uma das obras seminais do pensamento conservador na tradição anglo-americana é “The Conservative Mind”, do filósofo inglês Russell Amos Kirk, que ajudou a forjar o movimento conservador no período pós-Segunda Guerra. “No Brasil, Olavo de Carvalho por muitos anos pregou no deserto. Ele foi um precursor quando essas ideias não eram nem um pouco cultuadas por aqui”, diz o professor da EACH-USP.

Indagado por que as elites intelectuais tendem a ser de esquerda em todo mundo na história moderna, Gianturco atribui a teóricos duas explicações: ignorância econômica e inveja social. Na primeira hipótese, a mentalidade anticapitalista não entende que o mecanismo de mercado pode ajudar os mais pobres, acredita que só o Estado tem esse papel. Já a inveja social se trataria de frustração: “Como o intelectual não faz tanto dinheiro como o empresário e o comerciante, não vê como legítimo o sistema que remunera melhor pessoas por vezes incultas, bregas, que vieram de baixo, se fizeram sozinhas, enquanto ele domina as normas cultas, sabe para que servem todos aqueles talheres complicados na mesa. O mercado não premia necessariamente o mais culto, e por isso é atacado”.

É comum ouvir de eleitores conservadores que após décadas da esquerda do poder, chegou a vez da direita, e que isso precisa ser respeitado. O acordo democrático legitima a alternância de poderes. A pedra basilar desse acordo, lembra Moisés, é que, diante de conflitos de interesses e entre posições político-ideológicas, não haverá a supremacia de um sobre o outro pelo uso da força, como já houve na instauração de regimes autoritários e conservadores à extrema direita e à extrema esquerda.

Moisés ainda destaca a democracia como único regime que deixa em aberto a possibilidade de ampliação permanente de direitos, colidindo, segundo ele, com a visão conservadora, doutrinária e às vezes até religiosa sobre a sociedade, que não aceita direitos de minorias, casamento de pessoas do mesmo sexo ou que as mulheres tenham autonomia para decidir o que querem fazer com o corpo delas. “Isso, que em certo sentido representa um avanço democrático, foi visto por parte da sociedade como retrocesso que coloca em questão princípios e a família.”

Para Moisés, o risco que o principal representante político da direita no Brasil traz à democracia está verbalizado nas declarações de apologia à tortura e mortes de opositores, ataque a minorias e gestos que imitam armas, inclusive usando uma criança para isso. “Eles têm o direito de disputar o poder desde que respeitem os princípios básicos da democracia, inclusive as regras de disputa eleitoral. Mas que agora o próprio Bolsonaro colocou em questão, dizendo que se não ganhar é porque houve fraude. Tudo bem se a direita vencer respeitando os direitos democráticos. Mas, se não respeitar, os outros vão se insurgir. E aí nós vamos ter conflitos”, diz.

No cenário de desentendimentos visualizado por Gianturco, “a esquerda marxista não se entende como agressiva e revolucionária, acha que está defendendo o bem comum, enquanto a direita está indignada com tudo que está por aí, quer mudança. Se Bolsonaro ganhar, mais marxistas virão com força”. Ele diz acreditar que o conflito se dará também na forma de lavagem cerebral nas escolas, como teme o movimento Escola Sem Partido. “Existem técnicas para exercer essa lavagem cerebral, como algumas linhas do construtivismo”, diz.

Colocando a questão do conflito em escala mais longa, Viviane, estudiosa de Friedrich Nietzsche (1844-1900), resgata um pensamento do filósofo: “Ele disse que quando a verdade caísse por terra, teríamos grandes guerras, e a noção de política desapareceria da Terra, gerando um caos absoluto”. Hoje a sociedade em rede vive a pós-verdade, com o fim dos códigos binários, o certo e o errado, o bem e o mal, a direita e a esquerda, o masculino e o feminino e assim por diante. No lugar da polaridade, entrou a pluralidade, diz.

“Não são pesquisadores que identificam 28 ou 32 gêneros, são os adolescentes que autodenominam, e por isso ninguém pode negar esse fenômeno. Isso é desestruturante. As crianças de hoje estão crescendo como brotos soltos, elas se identificam com o que quiserem, mas os conservadores querem cobrar delas a polaridade. Não por menos, o índice de suicídio é altíssimo entre jovens e crianças. Inclusive, [a campanha] Setembro Amarelo chama atenção para isso”, diz Viviane, que lança o livro “Nietszche Hoje – Sobre os Desafios do Mundo Contemporâneo”.

Viviane diz acreditar que o corpo e a sexualidade são as grandes questões para Bolsonaro. “O problema dele é com gênero, é com as mulheres, não é contra o PT. Tanto que ele começa a aparecer com o discurso do corpo, do chamado ‘kit gay’.” Esse discurso é música para os saudosistas do tempo em que se acreditava que homem era homem, mulher era mulher e estava sob o comando do primeiro.

A emancipação feminina foi, para Maria Homem, a força central que rompeu a lógica pré-moderna, quando o Estado reconheceu que todos eram iguais perante a lei. “A barganha no século XIX foi colocar essa pessoa que não tinha nenhum direito como a rainha do lar, bela e recatada. No século XX, um grande passo para humanidade foi a invenção da pílula, pois até então maternidade cabia à esposa e sexualidade, aos bordéis. Agora, no século XXI, quase metade dos lares brasileiros é chefiada por mulheres, porque os homens simplesmente não estão, eles saem fora, antes, durante ou depois dos filhos.”

Geradora da vida, tida como enigmática e ardilosa – já que o desejo da mulher não se revela como o do homem -, tudo isso, segundo a professora da Faap, forma um conjunto insuportável para o patriarcado. “Não à toa a mulher ficou milênios amordaçada. O próprio Freud interrogou: ‘Afinal, o que querem as mulheres?’, às quais se referia como ‘continente negro’.”

Enquanto o conservadorismo é refratário ao desconhecido, a modernidade pede constante transformação, obriga continuamente as pessoas a serem outra coisa. Como lidar com isso? Maria Homem dá um recado aos conservadores: “Sei que você está sofrendo, que é angustiante. É para todos nós, mas não tem volta. A consciência é inexorável, depois que se pensou que poderia ser assim, não pode mais ‘des-pensar’. O caos do sistema é que o torna vivo e pulsante”. No vídeo “Lalá”, o lábio de Karol reluz, coberto de glitter. “Os corpos estão brilhando, pulsando, transbordando”, diz Viviane. “E isso incomoda demais.”

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