Uber chefe: o estilo do CEO da empresa mais ousada do Vale do Silício

Fonte: ÉPOCA

Dara Khosrowshahi é um defensor da cautela, da disciplina e do tato. Seu desafio, portanto, não é dar um novo rumo para a empresa, e sim ressignificar uma cultura
Dara Khosrowshahi, CEO da Uber (Foto: FLOTO + WARNER/Wired/Conde Nast)MUDANÇA RADICAL Antes de chegar à Uber, Khosrowshahi passou por Allen &Company, InterActive Corp. e Expedia

No final dos anos 50, uma indústria de armas chamada Martin Company recebeu uma encomenda para construir o primeiro míssil Pershing. Seria o sistema de armas móvel mais sofisticado do mundo: cinco toneladas de metal e tecnologia de precisão destinadas a projetar uma ogiva nuclear a mais de 700 quilômetros de distância. Se um dia fosse usado, não haveria margem de erro. Tinha de ser perfeito. E o Exército dos Estados Unidos queria que ficasse pronto depressa.

A tarefa de garantir essa perfeição exigida coube a Philip Crosby, um gerente de controle de qualidade da Martin. Para combater o hábito dessa indústria de tolerar pequenos erros durante a produção acelerada, que vinha do tempo da guerra, Crosby criou uma filosofia que mais tarde ele chamaria de Defeito Zero. A ideia era basicamente instigar nos trabalhadores a vontade de evitar problemas durante o projeto e a fabricação, em vez de ter de consertá-los depois. A filosofia de Crosby se tornou um lema na administração de empresas, especialmente nas indústrias aeroespacial e automobilística, onde uma luva defeituosa ou um rolamento fraco pode significar uma catástrofe. Durante o programa Apollo, a Nasa chegou a conferir troféus Defeito Zero — astronautas de metal sobre a Lua com as letras ZD (sigla em inglês para “defeito zero”) estampadas no peito.

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“Sou um crente fiel da estratégia de Defeito Zero”, disse Dara Khosrowshahi, o executivo-chefe da Uber. Aos 48 anos, ele dirigia a empresa havia quatro meses naquela altura. Tinha deixado um cargo estável no serviço de viagens Expedia para assumir uma companhia que havia se tornado sinônimo de escândalo e descumprimento de regras. Depois de apagar alguns dos incêndios deixados por seu antecessor, Travis Kalanick, Khosrowshahi tinha decidido que a Uber realmente precisava de uma filosofia de controle de qualidade de meados do século passado.

Era um pouco estranho, deve-se dizer. As companhias tecnológicas tendem a comemorar o oposto de Defeito Zero. Produzir novos códigos, experimentar, estragar as coisas e depois consertá-las. “Andem depressa e quebrem as coisas”, disse Mark Zuckerberg, nos primeiros tempos do Facebook. E possivelmente poucas empresas andaram mais depressa e quebraram mais coisas que a Uber.

Em apenas nove anos, a companhia de Kalanick cresceu da vaga ideia de que alguém podia pedir um táxi pelo telefone para um negócio avaliado em US$ 54 bilhões e disponível em mais de 600 cidades em seis continentes. E continuou acrescentando serviços: hoje a Uber pode oferecer um exército de carros para buscar sanduíches e entregá-los ainda quentes em sua casa. Não satisfeita com simplesmente substituir os táxis, a Uber de Kalanick começou a desenvolver carros e caminhões autônomos e até montou uma filial para criar carros elétricos voadores. No trajeto, a companhia deixou um rastro de destroços. Desconsiderou e até solapou leis e regulamentos; dissipou a lealdade de seus motoristas, que se sentiram maltratados sob o sistema de empreitada; e ficou famosa por uma cultura no local de trabalho que era um exemplo das piores tendências do Vale do Silício. Quando os investidores se uniram para pedir a renúncia de Kalanick, em junho de 2017, observadores chamavam a Uber de a startup mais disfuncional do mundo.

Onde outros viam as dificuldades da Uber como um símbolo da ascensão no Vale do Silício, Khosrowshahi enxergava algo menos carregado: uma sofisticada companhia tecnológica que havia se dedicado a coisas depressa demais e cujos sistemas rangiam sob o peso e a confusão. Crescimento, e não qualidade, foi seu princípio condutor por um tempo demasiadamente longo, disse ele.

Quer saber mais sobre como Dara Khosrowshahi pretende mudar o Uber? A matéria completa você encontra na edição de agosto de Época NEGÓCIOS. A revista deste mês está disponível nas bancas e no Globo+: app.globomais.com.br

 
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