Eleições 2018: Os pré-candidatos à Presidência e quais dificuldades têm de superar até a campanha

Fonte: BBC

Bússula com bandeira do Brasil e a palavra "voto"Direito de imagemGetty Images

Reportagem atualizada no dia 1º de agosto de 2018

A lista de candidatos e pré-candidatos à Presidência está diminuindo. Nos últimos meses, saíram da corrida o apresentador de TV Luciano Huck, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, o presidente Michel Temer (MDB), o senador Fernando Collor (PTC) e o empresário Flávio Rocha (PRB).

Além deles, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ex-senador Aldo Rebelo (SD) abandonaram a disputa formalmente: os partidos dos dois fecharam apoio ao tucano Geraldo Alckmin. Paulo Rabello de Castro, de 69 anos, que deixou o cargo de presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em março de 2018 para disputar as eleições, desistiu da candidatura própria e anunciou nesta quarta-feira que será vice na chapa de Álvaro Dias, do Podemos.

Todos os demais, que continuam na disputa, têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha oficial, em 31 de agosto.

Há candidatos com pendências na Justiça, há nomes atingidos por disputas partidárias internas, e há ainda candidatos que vão enfrentar a escassez de tempo de para propaganda no rádio e na televisão. Alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar de debates também estão entre as pedras no caminho dos presidenciáveis.

Partidos e candidatos correm contra o tempo para superar seus respectivos problemas. As coligações precisam ser oficializadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto, data que é também o prazo final para apresentar o pedido de registro de candidatura. A partir do dia seguinte, a propaganda eleitoral já está permitida. No rádio e na televisão, contudo, o horário eleitoral só começa dia 31 de agosto. O primeiro turno de votações está marcado para 7 de outubro.

A BBC News Brasil listou obstáculos dos principais pré-candidatos e partidos que já anunciaram a intenção de se lançarem à Presidência da República. Confira:

Ex-presidente Lula durante discurso no primeiro dia do 6º Congresso do nacional do PT em Brasília em junho de 2017. Direito de imagem Lula Marques/Agência PT
Image caption Entre os pré-candidatos, Lula lidera as pesquisas de intenção de votos, mas também tem rejeição alta

Lula (PT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 72 anos, tem liderado os cenários para a eleição presidencial em 2018. Segundo o último Datafolha, realizado entre 6 e 7 de junho, Lula tem 30% de intenção de voto. Está 13 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o deputado federal Jair Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Mas Lula pode ser impedido de disputar a eleição, uma vez que foi condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. Sentenciado a 12 anos e 1 mês de prisão, o petista pode ter sua candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa.

Lula teve a prisão decretada em abril, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) recusou o pedido de habeas corpus para que ficasse em liberdade até que se esgotassem todos os recursos.

Embora a situação do ex-presidente tenha se complicado muito após a derrota no STF, há três caminhos que, em tese, ainda podem resultar na soltura do petista: 1) sua defesa pode apresentar novos pedidos de habeas corpus; 2) o petista pode ter sua condenação anulada pelos tribunais superiores; 3) O STF pode rever seu posicionamento sobre a prisão após condenação em segunda instância para todos os réus do país, o que beneficiaria Lula.

Ao manter sua candidatura à Presidência, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa eleitoral por meio de diferentes recursos e pedidos de liminares.

Até o momento, o ex-presidente possui apenas uma condenação, mas é réu em outras seis ações penais, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta – segundo a última pesquisa Datafolha, 36% disseram não votar nele de jeito nenhum. Menor, entretanto, que a do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello, com 39% de rejeição.

Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que já declarou ser uma “grande deselegância com Lula” se colocar como opção do partido para 2018. Outro nome cogitado pelo partido é o ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

Segundo o Datafolha, tanto Haddad quanto Wagner têm apenas 1% de intenção de voto, cada, em cenários sem Lula.

Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, inicialmente como sindicalista. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2002, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.

Jair Bolsonaro Direito de imagem Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Image caption Bolsonaro trocou o PSC pelo PSL para disputar a Presidência

Jair Bolsonaro (PSL)

O deputado federal Jair Bolsonaro, de 63 anos, aparece em primeiro lugar nas pesquisas de opinião nos cenários eleitorais sem Lula. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro alcança 19% das intenções de votos quando os petistas Fernando Haddad ou Jaques Wagner ocupam o lugar do ex-presidente.

Bolsonaro trocou de partido para disputar as eleições. O deputado estava filiado ao PSC (Partido Social Cristão) e chegou a assinar a ficha de filiação do PEN (Partido Ecológico Nacional). Mas, em seguida, filiou-se ao PSL (Partido Social Liberal).

Bolsonaro terá pouco tempo de propaganda no rádio e na televisão. Para estipular o tempo de cada candidato, leva-se em conta o número de deputados federais eleitos pelo partido em 2014. No caso do PSL, foram apenas dois. O tempo exato ainda não foi calculado pelo TSE, mas as estimativas para Bolsonaro, sem coligações, giram em torno de meros 10 segundos.

Desde as eleições de 2014, o PSL conquistou mais deputados. Hoje, tem uma bancada de 10 pessoas. Com esse número, Bolsonaro vai poder participar de debates na televisão.

Os recursos de campanha também são vistos como um desafio para a candidatura. Os apoiadores do pré-candidato apostam na divulgação do número de uma conta para arrecadar doações na internet. O Tribunal Superior Eleitoral autorizou o uso de “vaquinhas virtuais” nessa eleição para arrecadar recursos de pessoas físicas – a doação de empresas permanece proibida. No Fundo Eleitoral, o PSL terá direito a apenas R$ 9,2 milhões – pode parecer muito, mas o PSDB por exemplo, sozinho, tem direito a R$ 185,8 milhões.

Bolsonaro tentaria contornar essa limitação usando redes sociais e contando com a produção espontânea de conteúdo de simpatizantes. O pré-candidato também vai precisar mostrar que domina diferentes temas. E, ainda, ele enfrenta dificuldade para conseguir um vice – nas últimas semanas, pelo menos três articulações naufragaram.

Militar da reserva e professor de educação física, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 – acumula sete mandatos por cinco partidos diferentes.

Junto com Geraldo Alckmin (PSDB), Bolsonaro é um dos dois únicos pré-candidatos que ainda não concedeu entrevista à BBC News Brasil.

Geraldo Alckmin e João Dória Direito de imagem Rovena Rosa/Agência Brasil
Image caption Geraldo Alckmin enfrentou disputa interna no PSDB para se viabilizar candidato

Geraldo Alckmin (PSDB)

O ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de 65 anos, assumiu em dezembro a presidência do PSDB para tentar apaziguar o partido, que se dividiu entre ficar ou sair da base de apoio ao governo de Michel Temer (MDB).

Um dos seus maiores desafios é conquistar votos. De acordo com o último Datafolha, Alckmin tem entre 6 e 7% da intenção de votos, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro Gomes – e em cenários sem Lula.

Alckmin foi confirmado como o único postulante do PSDB à Presidência, depois que o ex-senador e atual prefeito de Manaus Arthur Virgílio desistiu de participar de prévias para definir o candidato tucano nas urnas. No fim de fevereiro, Virgílio criticou o correligionário paulista, a quem acusou de usar a máquina partidária para evitar a disputa, e anunciou que não vai fazer campanha para Alckmin.

O ex-prefeito de São Paulo, João Doria, era outro tucano que almejava a candidatura presidencial, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo paulista. Muitos tucanos acreditam que ele “queimou a largada” ao fazer um giro pelo Brasil na tentativa de aumentar sua popularidade – ele ainda é considerado desconhecido no país e não conseguiu alavancar seu nome nas pesquisas.

Além das muitas disputas internas, Alckmin assumiu um PSDB desgastado pelas denúncias de corrupção contra integrantes do partido, em especial as que pesam contra o senador Aécio Neves (MG), que disputou as eleições presidenciais em 2014. Alckmin também foi acusado de receber R$ 10 milhões em quantias não declaradas da Odebrecht, o que ele nega.

Nesta quinta-feira (26 de julho), o grupo de partidos conhecido como “centrão” – DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade – oficializou o apoio ao tucano nas eleições de outubro.

Alckmin já disputou as eleições presidenciais em 2006, quando perdeu para Lula no segundo turno – os adversários do tucano fazem questão de lembrar que ele teve menos votos na segunda votação que na primeira.

Formado em medicina, começou a carreira política como vereador e, depois, foi prefeito de Pindamonhangaba (SP), sua cidade natal. Em 1994, foi eleito vice-governador de São Paulo e acabou assumindo o governo com o agravamento do estado de saúde de Mário Covas, em 2001. Perdeu a disputa pela prefeitura de São Paulo em 2008, mas voltou como governador em 2010 e foi reeleito em 2014.

Junto com Jair Bolsonaro (PSL), Alckmin é um dos dois únicos pré-candidatos que ainda não concedeu entrevista à BBC News Brasil.

Marina Silva Direito de imagem Rede Sustentabilidade
Image caption Marina corre o risco de ficar de fora dos debates na TV e deve ter apenas 12 segundos na propaganda eleitoral obrigatória

Marina Silva (Rede)

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lançou oficialmente sua candidatura em 2 de dezembro de 2017, pela Rede. De acordo com o último Datafolha, Marina está em segundo lugar em todos os cenários sem Lula, com entre 14% e 15% de intenção de voto, atrás de Bolsonaro.

Uma das dificuldades que deve enfrentar é o baixíssimo tempo de propaganda no rádio e na TV. A Rede dificilmente vai se coligar com outros partidos, o que poderia aumentar esse tempo. Nos últimos dias, a Rede passou a tentar uma aliança com outro partido pequeno, o PHS.

O partido conta com uma bancada de apenas três congressistas. Assim, Marina não teria a garantia de participação nos debates. Caberia às emissoras a escolha de convidar ou não a candidata.

A ex-ministra vai precisar também responder a críticas de ser omissa em momentos em que muitos aguardavam um posicionamento firme sobre temas centrais ou disputas políticas, e de ter declarado apoio ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno das eleições de 2014.

Avessa a embates e a ataques, a própria candidata avalia que será uma campanha extremamente agressiva.

Marina, que tem 60 anos, disputou as duas últimas eleições presidenciais, uma pelo PV e outra pelo PSB. Ela começou a carreira política no PT – onde chegou a ser ministra do Meio Ambiente, durante o governo Lula (2003-2010).

Ciro Gomes em entrevista à BBC Brasil em maio de 2017
Image caption O temperamento explosivo de Ciro e a dificuldade de se formar uma coalização de centro-esquerda são desafios a serem enfrentados pelo candidato do PDT

Ciro Gomes (PDT)

A candidatura presidencial do ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, de 60 anos, foi confirmada em março de 2018 pelo PDT e oficializada no fim de julho.

É o nome ligado à esquerda que vai melhor nas pesquisas – só atrás de Lula. Segundo o Datafolha de junho, nos cenários eleitorais sem Lula, Ciro aparece em terceiro lugar, atrás de Bolsonaro e Marina, com entre 10% e 11% de intenção de votos. Os demais candidatos de esquerda não passam de 2% de intenção de voto.

Ainda segundo o Datafolha, o pedetista tem uma rejeição de 23% do eleitorado – abaixo da rejeição de Lula (36%), Bolsonaro (32%), Alckmin (27%) e Marina (24%).

A falta de aliados para fortalecer a candidatura numa coligação formal é um obstáculo a ser enfrentado. O PDT negocia alianças com o PSB e o PCdoB. “São conversas que ainda estão em construção”, disse Carlos Lupi, presidente do PDT, à BBC News Brasil.

O estilo franco e impulsivo que há anos rende a Ciro a fama de “destemperado” pode ser um empecilho. “Todo mundo já teve uma palavra mal dita ou foi mal interpretado”, pondera Lupi.

Ciro já foi prefeito de Fortaleza, deputado estadual, deputado federal, governador do Ceará e ministro dos governos Itamar Franco (Fazenda) e Lula (Integração Nacional).

Passou por sete partidos em 37 anos de vida pública. Já concorreu à Presidência duas vezes, em 1998 e em 2002.

Manuela D'ávila Direito de imagem Marcelo Bertani/Agência ALRS
Image caption O PCdoB de Manuela D’Ávila deve enfrentar dificuldade em desassociar a própria imagem da do PT, de quem o partido foi aliado

Manuela D’Ávila (PCdoB)

Ao anunciar a ex-deputada federal e atual deputada estadual no Rio Grande do Sul Mauela D’Ávila como pré-candidata, o PCdoB praticamente acabou com a possibilidade de o partido ser vice numa eventual chapa encabeçada por Lula.

Ao perderem o aliado, petistas classificaram a decisão do PCdoB como “erro histórico”. No Datafolha de junho, a candidata chegou no máximo a 2% da intenção de votos.

No fim de julho, porém, a cúpula do PC do B se reuniu em São Paulo e afirmou que o partido teria como prioridade a busca da unidade entre os partidos de esquerda – o que poderá envolver a retirada da candidatura da política gaúcha.

Manuela, de 36 anos, terá cerca de 20 segundos do tempo de propaganda e poderá participar de debates. Apesar de ter sido deputada federal por dois mandatos e líder do PCdoB da Câmara, Manuela não é um nome conhecido em todo o país. Conforme apontou o Datafolha de novembro, ela era conhecida por apenas 24% do eleitorado.

Manuela é jornalista de formação e foi a vereadora mais jovem da história de Porto Alegre, eleita aos 23 anos. Em 2006, foi para a Câmara dos Deputados, onde ficou por dois mandatos. Concorreu à prefeitura da capital gaúcha duas vezes, sem sucesso. É deputada estadual desde 2014.

Alvaro Dias Direito de imagem Antonio Cruz/Agência Brasil
Image caption Senador Álvaro Dias ainda tenta se tornar mais conhecido entre o eleitorado

Álvaro Dias (Podemos)

O ex-tucano Álvaro Dias, de 73 anos, ganhou fama no Senado por ser um ferrenho crítico da gestão petista e integrante ativo de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

No ano passado, ele trocou o PV pelo Podemos – antigo PTN – com a expectativa de se lançar candidato, mas ainda enfrenta o desafio de se tornar um nome mais conhecido nacionalmente, capaz de conseguir mais que os 4% de votos sinalizados pelas pesquisas.

Estimativas iniciais indicam que ele teria cerca de 12 segundos no rádio e na televisão, se não conseguir qualquer aliança com outros partidos.

Álvaro Dias cursou História e está no quarto mandato consecutivo de senador. Já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e governador do Paraná. É de uma tradicional família de políticos do Estado.

João Amoêdo fala ao microfone Direito de imagem Partido Novo/Facebook
Image caption Um dos criadores do partido Novo, João Amoêdo deve ser o nome da primeira disputa presidencial da legenda

João Amoêdo (Novo)

O ex-executivo do sistema financeiro João Amoêdo, de 55 anos, se afastou da presidência do partido que ele próprio ajudou a criar em 2015 para ser lançado pré-candidato à Presidência. Pelas regras do Novo, candidatos não podem exercer funções partidárias nos últimos 15 meses antes da eleição.

Amoêdo não é um nome que desfruta de popularidade e tem viajado o país para fazer palestras na tentativa de se tornar mais conhecido. No Datafolha de junho, Amoêdo obteve no máximo 1% da intenção de votos.

Novato em eleições gerais, o partido de Amoêdo conta com o apoio de profissionais liberais, de economistas que ocuparam cargos importantes no governo de FHC, como Gustavo Franco, e tem entre seus quadros o ex-treinador de vôlei Bernardinho. A legenda ainda tenta atrair tucanos descontentes que estão deixando o partido.

A maioria dos quadros do partido, contudo, é neófita das urnas.

Formado em Engenharia Civil e Administração, Amoêdo começou a carreira profissional trabalhando para bancos e chegou a ser vice-presidente do Unibanco e membro do conselho de administração do Itaú-BBA. Atualmente, é sócio do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.

Guilherme Boulos Direito de imagem Divulgação
Image caption Boulos, de 36 anos, é recém-filiado ao PSOL

Guilherme Boulos (PSOL)

Em março, o PSOL anunciou o nome do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, de 36 anos, como candidato à Presidência. A chapa terá como candidata a vice-presidente a ativista indígena Sônia Bone Guajajara, também do PSOL.

No Datafolha de junho, Boulos obteve no máximo 1% da intenção de votos.

Para o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), é mais fácil o partido se coligar com movimentos da sociedade civil organizada do que com partidos políticos. “Há um descrédito muito grande, as pessoas estão com nojo dos partidos”, diz Alencar.

Boulos venceu a disputa interna no PSOL, que tinha como pré-candidatos os economistas Plínio de Arruda Sampaio Jr., Nildo Ouriques e Hamilton Assis, militante do movimento negro. Em julho, o partido oficializou a chapa formada por Boulos e Sônia.

O PSOL avalia que o grande desafio será cumprir a cláusula de barreira que exige para 2018 1,5% dos votos em nove Estados para que as legendas continuem recebendo fundo partidário e tendo acesso a inserções no rádio e na televisão.

A legenda terá cerca de 13 segundos de propaganda eleitoral, mas vai conseguir participar dos debates por ter uma bancada com seis deputados.

Professor e escritor, Guilherme Boulos é formado em Filosofia pela USP, tem especialização em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestrado em Psiquiatria pela USP. É membro da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, no qual milita há 16 anos, e da Frente Povo Sem Medo.

Henrique Meirelles Direito de imagem Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Image caption Henrique Meirelles estabeleceu uma meta própria nas pesquisas de intenções de votos para decidir se sai oficialmente candidato

Henrique Meirelles (MDB)

Para tentar se viabilizar como pré-candidato, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de 72 anos, anunciou que deixaria o cargo no início de abril e trocaria o PSD pelo MDB (ex-PMDB).

O presidente Michel Temer (MDB) desistiu de tentar uma reeleição e já declarou apoio aberto a Meirelles.

A candidatura pelo MDB deve ser oficializada no começo de agosto – embora ele enfrente oposição de alguns caciques regionais do partido, como Renan Calheiros (Alagoas), Roberto Requião (Paraná) e Jarbas Vasconcelos (Pernambuco), entre outros. Apesar disso, o cálculo dos aliados do ex-ministro da Fazenda é de que ele tem cerca de 400 dos 629 votos da convenção do MDB.

Mesmo assim, a falta de popularidade ainda é um obstáculo a ser superado. No Datafolha de junho, Meirelles obteve 1% da intenção de votos.

A trajetória profissional de Meirelles está ligada à área financeira internacional. Antes de ser presidente do Banco Central, entre 2003 e 2011, no governo Lula, foi o principal executivo do BankBoston. Antes de assumir a Fazenda, Meirelles atuou por quatro anos como presidente do conselho de administração da J&F Investimentos, holding criada pela família Batista e controladora do frigorífico JBS, envolvido em escândalos de corrupção.

Vera Lúcia na sede do PSTU em SP Direito de imagem BBC News Brasil
Image caption O desenho na parede – feiro por uma militante do PSTU – mostra Leon Trotsky e o logo da 4ª Internacional

Vera Lúcia (PSTU)

A sapateira Vera Lúcia, de 50 anos, foi lançada como cabeça da chapa presidencial do PSTU, que deverá ter como vice o professor Hertz Dias, da rede pública do Maranhão.

Vera é ativista sindical em Sergipe, ex-militante petista e ex-operária da indústria calçadista. Ela participou da fundação do PSTU em seu Estado, junto com outros ex-filiados do PT, depois que sua corrente foi expulsa do petismo em 1992.

A candidatura tem por objetivo apontar o que o partido considera a forma ilegítima e antidemocrática como são disputadas as eleições no Brasil. O PSTU considera que o objetivo final de um partido revolucionário não é disputar eleições, e sim organizar os trabalhadores para tomar o poder.

O advogado José Maria Eymael Direito de imagem PSDC Nacional / divulgação
Image caption O avogado José Maria Eymael é famoso por um jingle lançado em 1985

Eymael (DC)

José Maria Eymael foi oficializado como o candidato presidencial pelo partido Democracia Cristã (DC), em convenção no último sábado (28 de julho), em São Paulo. Esta será a 5ª vez que o advogado disputa a presidência da República. Ele terá como vice o pastor Hélvio Costa.

Em 2014, Eymael teve apenas 0,06% dos votos – ele chegou a dizer que não disputaria mais a Presidência da República. O candidato da DC (antigo PSDC) é famoso pelo jingle de campanha, lançado em 1985: “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão (…)”.

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Estão cotados também para participar da disputa o filósofo João Vicente Goulart (PPL), filho do ex-presidente João Goulart; e o político Levy Fidelix (PRTB).

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