Equipe econômica espera expansão acima de 1% no terceiro trimestre

Fonte: Valor

BRASÍLIA  –  A equipe econômica avalia que o crescimento no segundo trimestre do ano deve ficar próximo de zero. Porém, a recuperação verificada por alguns indicadores no mês de junho deve contribuir para que no terceiro trimestre a economia registre uma expansão acima de 1%. Na avaliação do governo, não há hipótese de o Produto Interno Bruto (PIB) crescer menos do que 1% neste ano.

A avaliação é de que a paralisação dos caminhoneiros impactou fortemente a atividade econômica, mas foi algo pontual. Tanto que indicadores antecedentes como tráfego de veículos pesados nas rodovias pedagiadas, venda de papelão ondulado e produção de veículos mostram recuperação em junho.

Para comprovar essa avaliação, os técnicos do governo fizeram, a partir do comportamento dos indicadores antecedentes em junho, alguns cenários econômicos que mostram que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma espécie de prévia do PIB, tende a cair entre 0,3% e 0,9% no segundo trimestre. Porém, o desempenho em junho impactará o terceiro trimestre com uma variação positiva estimada entre 1,1% e 2,4%.

“O 2º trimestre será um número de crescimento próximo de zero. Mas o terceiro será um número acima de 1%. A volta do terceiro trimestre já garante um PIB acima do que foi apurado ano passado. Em 2018, a gente vai crescer acima de 1,3% só com essa volta do terceiro trimestre”, explicou um técnico do governo.

No início do ano, a equipe econômica projetava um crescimento econômico de 3% para este ano. Mas a estimativa foi reduzida aos poucos, com a deterioração das condições financeiras provocada pelas incertezas no mercado internacional — como as relativas à elevação dos juros nos Estados Unidos e à guerra comercial — e internas, como a política econômica a ser adotada pelo próximo governo.

Recentemente, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, disse que a paralisação dos caminhoneiros impactou o crescimento da economia neste ano em 0,2 ponto percentual, e que o aperto nas condições financeiras retirou mais 0,7 ponto percentual do PIB.

A estimativa do governo para o crescimento econômico deste ano foi reduzida, na semana passada, de 2,5% para 1,6%, e de 2019, de 3,3% para 2,5%. O secretário reforçou que a economia viveu em junho uma recuperação em “V”, após despencar em maio.

“A paralisação foi evento muito importante. Afetou a atividade econômica, mas a volta foi muito rápida. Como a volta foi muito rápida, trará grande impacto para o terceiro trimestre. As pessoas não estão reparando a importante volta que tivemos em junho e isso faz com que o terceiro trimestre saia de um nível bem mais alto”, ressaltou um técnico do governo. “Temos uma visão positiva sobre o terceiro trimestre. Estamos conversando com os analistas e poucos viram esse movimento”, complementou.

Segundo esse técnico, o desempenho da economia vem piorando gradativamente e, em abril, se tornou mais evidente. Além do cenário externo, não está claro para os investidores e analistas de mercado que o próximo governo está comprometido com a agenda de reformas como é o caso da previdenciária, o que coloca em dúvida a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo. Todas as incertezas eleitorais, em conjunto com a greve dos caminhoneiros, provocaram uma forte perda de confiança e, se isso não for revertido, poderá impactar o crescimento no fim do ano ou início de 2019. Isso porque o impacto da piora da confiança do consumidor e do empresário tem um efeito defasado na economia (de três a seis meses).

Sobre o desempenho do mercado de trabalho, os técnicos do governo agora estão debruçados sobre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, abaixo do que esperavam em junho, com o fechamento líquido de 661 vagas com carteira assinada. Foi o primeiro mês com saldo negativo em 2018, contrariando também as estimativas do mercado em geral, de criação líquida, de 46,6 mil vagas em média, segundo as instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data.

“O número veio abaixo do que a gente esperava. Estamos analisando isso”, contou a fonte da área econômica.

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