CEOs devem sair de cima do muro e ter discurso mais sincero

Fonte: VALOR

Ninguém quer mais CEOs que fiquem em cima do muro. Em levantamento realizado com 33 mil pessoas, em 28 países, sendo 1.150 brasileiros, 56% disseram que não respeitam presidentes de empresas que permanecem em silêncio diante de assuntos importantes. No Brasil, 60% afirmaram, inclusive, que os CEOs devem assumir a liderança em movimentos de mudança e não esperar a imposição do governo.

Este ano a queda na credibilidade em instituições foi grande na terceira edição da pesquisa Edelman Trust Barometer. A descrença atingiu ONGs, empresas, mídia e governo. No geral, as pessoas parecem mais dispostas a confiar em indivíduos – uma explicação para que no Brasil a credibilidade nos CEOs tenha aumentado quatro pontos em relação ao ano passado.

Mas, para saber sobre uma empresa, 70% dos brasileiros disseram confiar mais na opinião de “alguém como eu” do que em especialistas técnicos (64%), acadêmicos (63%), analistas financeiros (55%), empreendedores (55%), CEOs (52%), jornalistas (47%), conselhos de administração (46%), ONGs (46%), empregados (44%) ou governos (28%). “Trata-se da opinião de alguém que não tem tanto interesse financeiro na empresa, embora em tempos de redes sociais a intenção dessa pessoa pode não ser tão inocente”, diz Martin Montoya, CEO da Edelman.

No geral, a confiança é maior no jornalista do que na mídia, assim como é maior em políticos do que em partidos. Em relação aos CEOs, a expectativa é que cada vez mais eles sejam porta-vozes sinceros e autênticos de suas companhias. Na pesquisa, 65% dos entrevistados brasileiros afirmaram que preferem discursos espontâneos do que muito ensaiados. “As pessoas estão cansadas de falas montadas só para impressionar”, diz Montoya.

Os olhos da população estão mais abertos nas redes sociais para medir a capacidade dos gestores reagirem e se posicionarem sobre quase todos os assuntos, diz Montoya. A cobrança pela postura dos executivos é maior.

Para 72% dos entrevistados no país, os CEOs deveriam se envolver pessoalmente na discussão sobre o trabalho que sua empresa faz em benefício da sociedade. E 73% disseram que eles deveriam se envolver também no compartilhamento do propósito e da visão da companhia. “O dirigente precisa explicar como a sua empresa vai beneficiar a sociedade”, diz. Muitas organizações que estão fazendo o bem falham na comunicação disso, uma questão que também envolve os CEOs, afirma.

Existe uma expectativa entre 84% dos respondentes, dos 28 países, de que os CEOs ajudem a informar e a promover debates. A ideia é que eles falem sobre políticas relacionadas a temas como emprego, economia em geral, automação, regulamentações, globalização, corrupção, aquecimento global, discriminação, infraestrutura, custo de vida, educação, saúde e imigração. “O CEO precisa trazer o seu ponto de vista, porque esta é também uma forma de cuidar das pessoas”, diz Montoya.

Em todo o mundo, quando perguntados sobre quem tem mais credibilidade ao falar sobre a empresa, 71% dos entrevistados apontaram os empregados e apenas 29% os CEOs. “A prova de fogo para a reputação de uma companhia é quando quem trabalha nela fala bem”, afirma.

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