PERNAMBUCO E RIO GRANDE DO SUL: IRMÃOS SEPARADOS PELO BRASIL.

Dois povos e muitas semelhanças. Um no extremo sul e outro no Nordeste de um país continental. Uma história repleta de lutas e batalhas com movimentos separatistas. Seja no aspecto futebolístico ou no orgulho pela terra, o gaúcho e o pernambucano tem muito mais em comum do que eles mesmos imaginam.

Para entendermos um pouco mais sobre essas semelhanças, deve-se voltar no tempo, no período colonial quando surgem dois movimentos no País. De um lado, no Nordeste, a chamada Confederação do Equador que se apoiava em ideais revolucionários, separatistas, em represália a política centralizadora adotada pelo governo do Don Pedro I, quando dissolveu a assembléia constituinte e surgiu a primeira Constituição nacional.
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Afora o clima de revolta da população local, os jornais da época, liderado por Frei Caneca, criticavam e pareciam pôr mais lenha na fogueira deste movimento separatista, inclusive no Recife se ignorando a nomeação de Presidências para a Província de Pernambuco. A partir daí, fora nomeado um mineiro casado com filha de pernambucanos, que se recusou a assumir a presidência do estado, surgindo daí um conflito armado que era inevitável.
Finalmente, em 02 de julho de 1824, fora proclamada a Confederação do Equador, dando origem a um velho sonho de autonomia desta região do país, em detrimento a toda política centralizadora no Rio de Janeiro.
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Anos depois e longe dali, surge a Revolução Farroupilha, que foi uma guerra regional contra o governo imperial brasileiro, onde o hoje Estado do Rio Grande do Sul, se declarou independente, dando origem a chamada República Rio-Grandense, sendo este o maior conflito armado que existiu no continente sul-americano.
Coincidentemente, um dos motivos que levaram ao movimento no sul do Brasil, foi justamente a constituição que tinha com fulcro a centralização do poder, imposto pelo governo do D. Pedro I. Após sangrentas batalhas, foi proclamada a República Rio-Grandense, e surgiu daí a famosa bandeira tricolor gaúcha, nas cores vermelha, amarela e verde, bem como hino gaudério, também cultivado até os dias de hoje, que na época era o hino nacional deles.
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Movimentos separatistas importantes e de notável respeito e conhecimento no Brasil todo. O que espanta, é que séculos e anos depois, o que deu ensejo a tais movimentos ainda continua presente no país, com o Rio de Janeiro e São Paulo, em especial, discriminando o resto do território nacional, caracterizando de certo modo uma centralização política.

Algumas curiosidades entre os dois estados são evidentes, como a criação da maior empresa aérea do país: a Varig. Seu fundador buscou montar a empresa em Pernambuco, mas fora expulso por dívidas na terra do frevo, culminando anos depois, com a fundação da empresa no Rio Grande do Sul, berço da aviação brasileira.

Pesquisas do Ibope revelam o alto grau de participação dos gaúchos e pernambucanos na escolha de seus líderes, onde há um movimento político muito forte, talvez pelos bairrismos locais. Outra curiosidades do Ibope, seriam as torcidas dos times de futebol locais. Recife e Porto Alegre são curiosamente as ÚNICAS CAPITAIS, que não torcem clubes do eixo Rio – São Paulo, como Corinthians e Flamengo, por exemplo, os times locais são as maiores torcidas.
Por incrível que pareça, Porto Alegre e Recife são cidades parecidas! Sim, com a diferença do clima e do litoral recifense, em relação ao Rio Guaíba, em Porto Alegre. Se dermos um passeio pelos TAMBÉM nobres bairros dos Aflitos, em Recife e Moinhos de Vento, em Porto Alegre, nem parece que são cidades diferentes, o cenário é muito semelhante. E o que dizer da entrada de Porto Alegre? Muito parecida com a entrada do Recife.

E os dialetos dos gaúchos e dos pernambucanos? Sim, desde o “Oxe” ao “Bah”, do pão francês, que é conhecido como “cacetinho” pelo porto-alegrense ou simplesmente estar sem dinheiro, que para o recifense seria “estar liso”.
Pois é… características que tornam gaúchos e pernambucanos, dois povos irmãos, bairristas e muito mais próximos do que imaginam. E se você tem dúvida para onde viajar nas próximas férias, “Oxe, tu não me desaponta guri, e pega logo um quero-quero da Varig, bichinho! Vai para Porto Alegre no inverno, e depois para Recife no verão, tchê!” 
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