Ataques de tubarão são mais raros do que muitos pensam; saiba como minimizar os riscos

Fonte:BBC

Tubarão no oceano Direito de imagem Getty Images
Image caption A maioria dos ataques de tubarão no Brasil ocorrem em Pernambuco

A presença de tubarões no litoral brasileiro voltou a causar preocupação no país, com a notícia de um ataque fatal em Pernambuco e de avistamentos do animal em praias do Rio de Janeiro.

No domingo, José Ernesto Ferreira da Silva, de 18 anos, estava nadando na Praia da Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, a cerca de 20 km de Recife, quando foi mordido por um tubarão. Segundo a assessoria de imprensa do Hospital da Restauração, para onde o jovem foi levado, ele teve parte da perna decepada pelo animal. A vítima não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo horas depois.

Já no Rio de Janeiro, um praticante de kite surf filmou um tubarão na praia de São Conrado, na zona oeste da cidade. A aparição surpreendeu os banhistas, já que o animal não é tão comum na região.

Em maio, a presença de tubarões na Barra da Tijuca, também na zona oeste da cidade, levou à suspensão da etapa do Campeonato Brasileiro de Surfe que estava sendo realizado no local e obrigou salva-vidas a retirarem os banhistas do mar. Não houve ataque, mas as pessoas ficaram com medo. Logo, a notícia se espalhou pelas redes sociais.

Embora os ataques de tubarões sempre atraiam grande atenção, o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões (ISAF, na sigla em inglês) diz que os ataques são relativamente raros. Segundo a organização, o número de fatalidades ocasionadas por esses casos é inferior, por exemplo, a ataques de cachorros, ursos, jacarés ou até a quedas em buracos na areia.

Enquanto 11 pessoas morreram nos Estados Unidos em decorrência de ataques de tubarões, entre 2001 e 2013, 364 foram mortas por cães.

Brasil é o nono país com mais ataques

Um relatório do ISAF aponta que o Brasil está em nono lugar na lista de países com mais ataques registrados no mundo.

Pernambuco é a região em que eles mais atacam no país. Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), houve – desde 1992, quando os casos começaram a ser registrados – 65 ataques de tubarão no Estado.

Dos 27 óbitos de banhistas e surfistas após ataques de tubarão no Brasil, entre 1992 e 2013, 25 foram em Pernambuco.

Recife concentra o maior número de casos. O maior local de risco na capital pernambucana é a praia da Boa Viagem, onde ocorreram pelo menos 11 mortes nesse período. Jaboatão dos Guararapes, onde José Ernesto foi mordido, é o segundo município com mais ataques no Estado, de acordo com o Cemit.

O ISAF calcula que, “provavelmente”, ocorram entre 70 e 100 casos por ano, resultando em até 15 mortes. “Falamos ‘provavelmente’ porque nem todos os ataques são reportados. Nossa informação sobre países do Terceiro Mundo é especialmente escassa e, em outras áreas, esforços às vezes são feitos para manter os ataques em silêncio por medo de publicidade ruim”, diz o ISAF em seu site.

“À medida que a população mundial cresce, também aumenta a frequência (de banhistas) nas praias. O número de ataques de tubarões em qualquer região do planeta é altamente influenciado pelo número de pessoas entrando no mar”, destaca o ISAF.

Placa na praia de Boa Viagem, em Recife, faz alerta sobre perigo de ataques de tubarão Direito de imagem Getty Images
Image caption Placa na praia de Boa Viagem, em Recife, faz alerta sobre perigo de ataques de tubarão

Espécies mais agressivas

Os tubarões podem ser encontrados ao longo de todo o litoral brasileiro. As espécies mais comuns são relativamente pequenas, de um metro de comprimento, e se alimentam de peixes, segundo o biólogo Fábio Di Dario, do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Já no Nordeste, em águas mais quentes, é comum encontrar espécies mais agressivas como o tubarão-tigre e o cabeça-chata. Há registros até da aparição do tubarão-branco em águas brasileiras, mas isso é algo raríssimo.

“Pode-se ter a impressão que estão surgindo mais tubarões, já que mais pessoas estão indo à praia e filmando quando algum aparece, fazendo a notícia se espalhar. No entanto, é exatamente ao contrário. Das 90 espécies conhecidas no Brasil, 20% estão ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção, principalmente, por causa da pesca”, ressalta o especialista.

O biólogo explica que as espécies menores se assustam com objetos maiores e por isso se mantêm mais afastadas da praia. Alguns animais podem ser avistados da areia, como aconteceu no Rio de Janeiro, porque estão atrás de um cardume. Mas, em geral, ficam com medo e fogem.

Já aqueles tubarões mais agressivos não temem a proximidade com banhistas.

Como reduzir o risco de um ataque de tubarão?

O risco de um ataque de tubarão é “pequeno”, segundo o ISAF, e pode ser minimizado tomando as seguintes precauções:

– Sempre fique em grupos, pois os tubarões atacam mais pessoas que estão sozinhas;

– Não nade muito longe da arrebentação;

– Evite nadar ao entardecer ou no escuro, pois nesse momento os tubarões ficam mais ativos;

– Não entre no mar se estiver com uma ferida sangrando ou se estiver menstruada. O olfato do animal é muito apurado;

– Joias brilhantes podem refletir a luz e parecer escamas de peixes, o que pode atrair tubarões;

– Evite nadar em águas com escoamento de esgoto próximo ou onde há concentração de pescadores e possíveis cardumes, nesse caso, um bom indicativo é a presença de muitos pássaros no local;

– A presença de botos não indica a ausência de tubarões – como muitos supõem – , pois ambos têm a mesma cadeia alimentar;

– Fique atento quando a água está turva e, nesse caso, evite usar roupas com cores chamativas já que os tubarões enxergam muito bem o contraste;

– Evite movimentos bruscos e animais de estimação na água;

– Fique atento aos bancos de areia e aos declives por serem locais onde os tubarões preferem ficar;

– Não entre na água quando um tubarão for visto;

– Se você for atacado, bata no nariz, nos olhos ou nas guelras do animal, preferencialmente com algum objeto, e saia da água o mais rápido possível. Não fique em uma atitude passiva.

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